O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 18/10/2019

As escolas, as quais deveriam ser locais de aprendizado e de discussões democráticos, têm se tonado cada vez mais espaços hostis, devido aos frequentes casos de bullying, que persistem na sociedade brasileira, seja pela omissão das pessoas agredidas, seja pela hereditariedade de comportamentos sociais. Esse cenário se configura uma grave mazela social, que torna necessária a discussão acerca dessa problemática, com o intuito de combatê-la.

Primeiramente, a influência exercida pela comunidade sobre o indivíduo se revela uma das raízes do problema. De acordo com os estudos do psicanalista alemão Wilhelm Reich, a formação do caráter é reflexo da interação criança com o meio familiar nos primeiros anos de vida. Sob essa perspectiva, muitos jovens crescem em ambientes carregados negativamente de valores preconceituosos e violentos, os quais são tomados como verdade, de forma a levá-los para dentro do espaço escolar e perpetuá-los no tecido social, antagonicamente ao progresso nacional.

Além disso, outro aspecto agravante do quadro exposto é a passividade dos alvos das agressões em relação à delação. Segundo dados do Unicef, aproximadamente 150 milhões de adolescentes sofrem bullying nas escolas. Porém, muitos desses alunos violentados, ficam submissos a essas situações vexatórias, visto que não denunciam, em virtude da vergonha de expor a situação a outras pessoas ou do medo de represálias maiores por parte dos celerados, de modo a gerar um sentimento de impotência e, consequentemente, depressão. Assim, faz-se real a frase dita pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau, o qual afirmou que “O homem nasce livre, mas por toda parte está acorrentado”, Sendo as correntes, nesse caso, a inércia quanto à ação de denunciar.

Portanto, o bullying se mostra uma mácula a ser combatida. Para isso, é necessário primeiramente que Ministério de Educação, além de intensificar a fiscalização nas escolas, por meio da instalação de câmeras de segurança, deve prestar assistência psicológica aos jovens infratores, através da disponibilização de profissionais especializados, com o intuito de ajudá-los a contornar as más influências habituais; de forma a atenuar os casos existentes. Por fim, as escolas, por intermédio de palestras e afins, devem orientar os pais a manterem frequentes conversas com os filhos acerca dos acontecimentos nos ambientes colegiais, assim como estimular, nos pequenos, o impeto de delatar as transgressões éticas e morais cometidas pelos colegas, para coibir os acontecimento futuros, pois, como disse Immanuel Kant, “O homem é o que a educação faz dele”.