O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 18/10/2019

Sob a perspectiva histórica, a humilhação e o assédio, nas escolas de Esparta durante 300 a 192 a.C,  eram encaradas como práticas normais e fortalecedoras dos homens com o ódio. Nessa óptica histórico-social, a reconstrução desse cenário, o qual as práticas de opressão permeiam os campos societários, sobre tudo os escolares, sucede-se pela ausência  de mecanismos protetores da saúde mental. A partir disso, observa-se as políticas públicas de assistência social e psicológica como medidas preferíveis para o combate ao bullying no Brasil.

Nesse contexto, o psicanalista Sigmund Freud, em sua obra “Além do princípio do prazer”, concebe as práticas opressivas como ações violentas praticadas por um indivíduo, o qual, em busca de aliviar suas frustrações, agride outra pessoa. Por esse panorama, por exemplo, no ambiente escolar a presença de profissionais da psique humana é fundamental, ao passo que essas ocorrências necessitam de tratamento prontamente, já que os estabelecimentos de ensino são ambientes onde o ser, em constituição, aprende a conviver em sociedade, e, por conseguinte, não pode assimilar essas práticas ao seu processo de construção social. Dessa maneira, quando não há a assistência necessária, mediatiza-se sujeitos abusivos para o convívio comunitário, além de episódios como o Massacre de Realengo, em 2011, motivado traumas de perseguições sofridas pelo assassino no local.

Ademais, segundo o Relatório da Organização das Nações Unidas, em 2017, 43% dos jovens brasileiros revelaram ter sofrido violências físicas ou psicológicas no ambiente escolar, além do país apresentar escassos métodos para o tratamento desse problema. Mediante esse dado, nota-se o contexto análogo aos educandários de Esparta, em que as condutas opressivas permeiam o âmbito colegial formando indivíduos opressivos, os quais geram danos para aliviar suas frustrações. Dessa forma, a alta taxa dessas ações violentas nos colégios evidencia a carência de mecanismos protetores da saúde mental, o que não é aceitável.

Portanto, é dever do Estado remediar essas violências desde o princípio para evitar danos psicológicos e a proliferação de sujeitos abusivos. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação elaborar e executar um projeto nacional de combate a intimidação, perseguição e agressão, contemplador da contratação de psicólogos e assistentes sociais para atuarem nas escolas e propagandas nos canais televisivos e digitais instruindo os violentados a procurarem a equipe assistencial por meio de investimentos orçamentários na Secretaria de Gestão Escolar e na Secretaria de Comunicação Social para aplacar esses comportamentos violentos. Desse modo, tem-se o intuito de utilizar políticas públicas de assistência social e psicológica para combater o bullying no Brasil.