O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 23/10/2019
Promulgada em 1948, pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem o Brasil como signatário. Contudo, a frequência dos casos de bullying nas escolas do país é um grave problema, que afronta os compromissos firmados em 1948 de resguardar a dignidade das pessoas. Este tipo de violência aumentou de forma preocupante e tem seu fomento na falta de empatia na pós-modernidade. Nesse contexto, a problemática precisa ser combatida na sociedade hodierna, visto que pode provocar reação dos agredidos com contornos trágicos.
Mormente, deve-se apontar a frequência que esse tipo de agressão é identificada no ambiente escolar. Segundo pesquisa realizada em 2015, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 200.000 alunos, somente do 9º ano, foram vítimas de bullying. Tais dados evidenciam que o problema é transgressão comum nas escolas. Dito isso, quando se considera a tortura psicológica imposta as vítimas e as reações extremadas que estas podem manifestar, começa-se a tomar consciência do tamanho do problema. Nesse sentido, os lamentáveis ataques às escolas de Realengo e Suzano são trágicos exemplos de reações trágicas às reiterada prática de bullying, assim como casos de suicídio.
Outrossim, é importante ressaltar que a sociedade pós-moderna catalisa o surgimento desses abusos. Nesse sentido, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, afirma que vivemos em tempos líquidos, onde destaca-se a efemeridade das relações interpessoais. Este quadro coloca em crise a empatia, que é importante regulador do comportamento humano. Assim, uma pessoa empática recua de uma ação que possa ofender outrem, porque é capaz de se colocar no lugar do ofendido. Esse fator atrelado ao relativo anonimato que a coletividade propicia, já que tais ataques, normalmente, são realizados por grupos, é a combinação catalítica perfeita para a perturbadora frequência desses abusos. Enfim, tal anomalia deve ser enfrentada.
Destarte, medidas são imperiosas para o combate ao bullying nas escolas. Dessa maneira, urge a necessidade de as unidades educacionais com apoio de ONGs, atacarem o problema com a promoção de palestras, oficinas artísticas e debates, problematizando os efeitos nefastos do bullying, objetivando o desenvolvimento da empatia entre os alunos, necessária para frenar os abusos. Ademais, cabe a mídia promover campanha contra tais agressões em rádio, televisão e mídias digitais, com a participação de artistas, com o objetivo de fomentar a discussão na sociedade sobre os malefícios destas agressões na escola. Assim sendo, o problema será afrontado e os compromisso com a defesa da dignidade do ser humano, firmados em 1948, honrados.