O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 25/10/2019
Em sua obra “Utopia”, o filósofo inglês Thomas More descreve uma sociedade alternativa e perfeita, na qual a idiossincrasia predominante no corpo social está pautada na harmonia e na inexistência de adversidades e conjunturas hostis. Em contrapartida, no que concerne à aceitação do próximo, verifica-se a existência de impasses, os quais se opõem veementemente à perfeição social da obra de More. Entre esses obstáculos, é imprescindível citar a persistência do bullying no país. Sendo assim, torna-se extremamente necessário discutir acerca desse aspecto, a fim de combater esse empecilho e garantir o funcionamento categórico da sociedade.
A princípio, convém frisar que a intolerância ao “diferente” possui raízes historicamente intrínsecas à humanidade, a exemplo da política segregacionista do “apartheid”, na África do Sul, e da execução em massa de judeus durante o Holocausto, na Alemanha. Nos dias hodiernos, essa opressão se manifesta sob diversas vertentes, como discursos odiosos ou agressão física, assim como é retratado na saga de J. K. Rowling, “Harry Potter”, na qual os indivíduos que não eram filhos de bruxos legítimos eram considerados “sangue ruim”. Esse comportamento prepotente do agressor pode acarretar consequências psicológicas graves a suas vítimas, como a depressão e, até mesmo, indução a práticas terroristas, como forma de vingar todo o mal já sofrido.
Ademais, assim como afirma o filósofo Thomas Hobbes, é pertinente citar o dever do estado de garantir o bem-estar social, haja vista que a prática do bullying é um obstáculo à harmonia desejada. Dessarte, essas ações criminosas precisam ser interrompidas urgentemente, visando à plenitude social e ao cumprimento eficaz dos direitos humanos. Para que isso ocorra, a melhor forma de combater esse fenômeno é investir no setor educacional, pois assim como afirma Paulo Freire, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.
Em suma, é míster que medidas eficazes são necessárias para atenuar a ocorrência do bullying na sociedade brasileira. Sendo assim, com o intuito de mitigar essa problemática, urge que o Tribunal de Contas da União direcione capital para que o Ministério da Educação atue na criação de campanhas e palestras com psicólogos em escolas e universidades. Seria interessante também expôr depoimentos de pessoas que já sofreram bullying em algum momento de sua vida, para que todos possam ouvir a versão da vítima e se mobilizem contra essa forma de agressão. Essas medidas têm por intuito explicitar as consequências que essa prática odiosa causa em suas vítimas e, como efeito, ocorrerá uma mobilização e conscientização do corpo social para que todos possam, enfim, viver em paz. Dessa forma, a utopia de More estará cada vez mais próxima da nossa realidade.