O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 28/10/2019
O filme “Carrie, a Estranha”, de 1976, comprava que há 40 anos os Estados Unidos já discutiam o tão perigoso bullying. A tímida e introspectiva Carrie sofre sendo desprezada pelas colegas cruéis, e vive sem amigos, alimentando o seu isolamento e, consequentemente, o distanciamento do aprendizado escolar. Não obstante, tal questão transcende a arte e mostra-se presente na realidade brasileira: segundo pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, escolas no Brasil têm menos tempo para ensino e mais bullying entre alunos do que média internacional. Logo, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade. Convém ressaltar, a princípio, a importância da escola na solução de atos como o bullying. Quanto a esse fator, é válido considerar que além da simples exposição de conteúdo, é seu dever educar o aluno para a convivência no coletivo, nas relações pessoais e profissionais. Sob esse aspecto, o célebre escritor, Paulo Freire, já falava em uma “cultura da paz”, evidenciando o papel da educação na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente e a tolerância. Paralelo a isso, a imperícia social vinculada ao déficit na identificação de casos de bullying fomenta a perpetuação do impasse. Nesse viés, as instituições educacionais ainda não são eficazes na prevenção, por não contarem com estrutura profissional e conhecimento voltado ao tema. Segundo o sociológo Émile Durkheim, as anomias sociais ocorrem pelo individualismo humano, e produz um estado geral de desordem: falta de clareza, crueldade e desorientação pessoal. Isso comprova a necessidade de as instituições trabalharem o assunto dentro e fora de sala, combatendo a violência entre os alunos.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, concerne ao Estado, mediante os Ministérios da Educação e Ciência e Tecnologia, a criação de um plano educacional que vise a elucidar a população quanto aos riscos da bullying nas escolas e à necessidade de que a escola se torne um espaço de diálogo, promovendo iniciativas que melhorem a comunicação e que permitam a troca de informações e a reflexão sobre o assunto. Tal projeto deve ser instrumentalizado por meio de palestras e eventos, mediadas por técnicos e professores da área, objetivando a conscientização dos alunos , e a prevenção de casos de bullying. Manter os pais e responsáveis bem informados sobre tudo o que acontece dentro da escola é muito importante e, certamente, contribui para identificar possíveis problemas relativos aos alunos. Por isso, a utilização de comunicados é uma excelente maneira de dialogar com as famílias, mostrando a sua importância na prevenção ao bullying. Dessa maneira, a “cultura da paz” poderá ser consolidada.