O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 29/10/2019

“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que não veem, cegos que vendo não ver”. O excerto do romance da obra modernista “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, critica, por meio do uso de metáforas, a alienação de uma sociedade que se torna invisual. Fora do universo literário, tal obra atemporal não foge da cegueira contemporânea, na qual a população brasileira não enxerga a problemática do bullying. Nessa análise, dois fatores são relevantes: a inobservância governamental e a questão familiar.

Em primeira instância, vale ressaltar que o descaso estatal promove subterfúgio ao quadro vigente. Nesse ínterim, o filósofo iluminista Rosseau, no contexto da Revolução Francesa, afirmou o papel do Estado em garantir igualdade jurídica a todos. Contudo, a prática deturpa a teoria, uma vez que as escolas falham em seu papel de instituições formadoras de opiniões e se tornem ambiente que o bullying se propaga. Haja vista que tem se tornado cada vez mais comum práticas discriminatórias com colegas em sala de aula, seja uma chacota pela aparência física, seja pela limitação mental. De acordo com G1, muitas escolas não tem o suporte necessário para combater essa mazela social. Desse modo, é inadmissível que com as altas taxas de impostos e tributos cobrados no país o poder público não seja capaz de combater essa tal prática retrógrada que fere a dignidade humana.

Em segunda instância, não obstante, convém frisar que a questão familiar corrobora para a persistência da problemática. Nesse ângulo, muitos pais não tem o aparo necessário para ajudar o filho que sofre do bullying, além de alguns partilharem do estereótipo “isso é mi mi mi” e “no meu tempo não tinha” potencializa o problema. Em consoante a isso, faz-se necessária a analogia com a obra “O Abapuru”, da modernista Tarsila do Amaral, na qual para a autora a representação da cabeça pequena significa a falta de criticidade do ser humano. Dessa maneira, baseados em pensamentos errôneos acerca do tema, é inaceitável que as pessoas fiquem alheia de soluções e cada vez mais se tornem parte desse quadro.

Infere-se, portanto, que o bullying representa um antagonismo a ser combatido na nação verde amarela. Para tanto, cabe o Ministério da Educação, em parceria com os colégios, criar uma campanha de conscientização contra o bullying nas salas de aula, por intermédio de um debate educativo com uma equipe especializada sobre o tema composta por: professores, sociólogos e pedagogos no intuito de discutirem como combater tal prática e o que a vítima deve fazer para enfrentar esse mal. Para mais, essa ação será aberta a todo público, principalmente para os pais, além dos alunos terem acompanhamento psicológico para evitar um possível trauma. Dessa forma, a cegueira será combatida.