O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 29/10/2019
No livro “O Ateneu”, do escritor brasileiro Raul Pompéia, o personagem principal - Sérgio - é um estudante de um colégio interno submetido a agressões pelos alunos mais velhos que, também, foram agredidos. Apesar de se tratar de uma ficção, a obra parece refletir, em parte, a realidade do século XXI, uma vez que, na atualidade, é crescente o índice de violência nas escolas, devido ao bullying. Diante disso, deve-se analisar como a falta de políticas públicas e a omissão escolar influenciam a problemática.
É relevante enfatizar, a princípio, que as medidas governamentais são insuficientes no âmbito escolar, o que dificulta o combate ao bullying por meio, principalmente, de uma maior assistência psicológica aos alunos. Exemplo disso, a tragédia ocorrida em Suzano, em março de 2019, em que dois ex-alunos de uma escola pública mataram a tiros vários estudantes e dois funcionários, em decorrência de terem sofrido bullying no colégio onde ocorreu o massacre. Esse fato revela a ineficácia das políticas públicas, uma vez que em muitas instituições de ensino, não há o cumprimento da lei que garante a atuação de psicólogos, assim como a não efetivação da lei anti-bullying.
Além disso, destaca-se, ainda, a inércia escolar como impulsionador do problema. Isso acontece porque o modelo pedagógico vigente, que invés de ensinar valores éticos e morais básicos que devem nortear todas as relações interpessoais, ensina apenas conteúdos que serão cobrados em prova. Hoje, é comum, por exemplo, ver crianças sendo vítimas de bullying unicamente pela aparência que têm e, muitas vezes, tais violências sofridas ocorrem na própria escola. Por consequência de tal negligência escolar, as vítimas de bullying, conforme afirma a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, acabam apresentando uma tendência maior de desenvolver distúrbios psicológicos, como ansiedade, depressão e cometer suicídio.
Infere-se, portanto, que falta de políticas públicas e omissão escolar influenciam no bullying no ambiente escolar. Nesse sentido, é necessário que o Governo Federal promova fiscalização nas escolas em relação à atuação de psicólogos e à efetivação da lei anti-bullying, a fim de mitigar a atuação de violência ocorridas pelo bullying no ambiente estudantil, além de instituir um concurso público, para contratar mais psicólogos. Ademais, o Ministério da Educação, junto com os pedagogos, devem realizar uma reforma no currículo escolar do ensino infantil, fundamental e médio. Tal reforma, na grade curricular, deverá incluir a disciplina de ética e moral, que ensinará os valores morais essenciais, como respeito ao próximo.