O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 02/11/2019
No limiar do século XXI, a prática de “bullying” aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. A partir de tal questão, muitos jovens são expostos a atos de violência, seja ela física, verbal ou psicológica. Nesse contexto, é indispensável salientar que a omissão das escolas e da família está entre as causas da problemática, uma vez que o assunto não é amplamente debatido. Diante disso, vale discutir as implicações que a prática do “bullying” pode motivar na sociedade e a importância da educação para o desenvolvimento do país.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a prática de “bullying” nas escolas brasileiras é bastante recorrente. Nesse sentido, o caso que ficou conhecido como Massacre do Realengo é um dos exemplos que mais evidenciam o problema. A esse respeito, um ex-aluno, Welligton Menezes, foi responsável por assassinar doze pessoas de uma escola do Rio de Janeiro, dentre elas estudantes e professores. À vista disso, a motivação para o retorno de Menezes ao ambiente escolar foi ter sido vítima de “bullying”, sistematicamente, na época em que era aluno. De encontro a esse cenário, o educador Paulo Freire já evidenciava a função da educação no combate a injustiças, de modo a incentivar a colaboração, a convivência com o diferente e, sobretudo, a destituição do sonho do oprimido em querer tornar-se o opressor.
Em uma segunda abordagem, cabe analisar, ainda, a relevância da educação no combate ao “bullying”. Com base nisso, o filósofo Immanuel Kant defende o pensamento de que o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Acerca dessa premissa, as escolas brasileiras, entretanto, negligenciam a prática do “bullying” ao não debaterem amplamente o assunto, o que perpetua a violência sistemática – física, verbal ou psicológica – nesses ambientes. Todavia, essa realidade constitui um desafio a ser resolvido não somente pelas escolas, mas também pela família. Na contramão desse cenário, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que apenas 12% dos pais são comprometidos com a educação dos filhos. Por conseguinte, o resultado é uma população jovem, cada vez mais, com problemas psicológicos, como a depressão.
Portanto, são necessárias medidas para combater a prática de “bullying” no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação solicitar o direcionamento de, pelo menos, 5% das arrecadações das prefeituras para a contratação e a inserção de psicólogos em todas escolas públicas. Nessa ação, os profissionais deverão atuar no sentido de estabilizar emocionalmente os estudantes e de propor debates com, a presença dos familiares desses jovens, sobre os efeitos do “bullying” na vida de uma pessoa. Com isso, será possível evitar mais casos como o de Welligton.