O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 22/02/2020

Adaptada pela Netflix, a série “Os treze porquês” retrata a vida escolar de Hannah Baker, uma jovem estudante que, após sofrer atos que vão de bullying até estupro, grava fitas contendo depoimentos e depois comete suicídio. Fora da ficção, é fato que a violência sofrida por Hannah pode ser relacionada à realidade vivida por jovens brasileiros e que, se não tratada da maneira correta, pode levar o indivíduo a tomar decisões impensadas. Portanto, é válido analisar maneiras para prevenir tal distúrbio, bem como formas de recuperar os que foram afetados por essa forma de opressão.

Em primeiro lugar, é preciso destacar a importância da escola na prevenção de atos como o bullying. Isso porque, além da simples exposição de conteúdo, é seu dever educar o aluno para a convivência coletiva. Nessa perspectiva, defendida pelo filósofo e pedagogo Paulo Freire, a “cultura da paz” evidencia o papel da educação na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente e a tolerância. Dessa forma, fica comprovada a necessidade de instituições de ensino trabalharem o assunto desde as camadas básicas da educação, visando, assim, ao combate da violência no âmbito escolar.

Por outro lado, caso o jovem seja afetado por práticas de bullying, torna-se necessário um acompanhamento especial direcionado a ele. Sob esse viés, noticiado pelo G1 em 2011, o “Massacre de Realengo” teve como responsável o jovem Wellington Menezes, que, segundo familiares e amigos, sofria constantes intimidações na sala de aula. Logo, é perceptível que situações de amedrontamento, como ocorrido no atentado, são comuns no processo escolar, visto que os estudantes estão no processo de formação de caráter. Dessa maneira, fica evidente que nem mesmo os casos mais simples devem ser ignorados por pais e professores, pois os adolescentes podem assumir atos extremistas como forma de revide.

Entende-se, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Educação deve, por meio da fiscalização das leis vigentes, tornar unânime a presença de psicólogos nas escolas. Como também, as consultas dos alunos com os profissionais devem ser feitas de forma discreta, para evitar possíveis constrangimentos ao tratar de assuntos pessoais dos estudantes. Dessa forma, espera-se que os distúrbios relacionados ao bullying sejam erradicados e que histórias como a de Hannah Baker existam apenas na ficção.