O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 08/04/2020

Desde os anos 2000, o termo “bullying”, surgiu a partir do inglês “bully”, que significa brigão ou valentão, se popularizou, e hoje é alvo de muitas discussões dentro das escolas no Brasil. A classificação do termo é tida como a violação de direitos humanos , na medida em que se cria uma intolerância sem motivo aparente, a vítima é alvo de agressões e perseguições repetidas e intencionais, geralmente em desvantagem de poder ou força física, sendo praticadas por um ou mais agressores.

Mas esta prática não é uma exclusividade do Brasil atual: o bullying existe desde que as escolas existem. Como é exemplificado no filme Preciosa (2010), baseado em Push by Sapphire (1996), em que uma adolescente que já sofre uma série de abusos em casa vê uma oportunidade de estudar e mudar de vida, mas acaba sofrendo mais ainda com suas colegas de classe. Consoante a Augusto Pedra, psicólogo especialista em bullying escolar, em uma entrevista em Cenas do Brasil (2012), o bullying é uma síndrome psicossocial, junto a sinais e sintomas de aspecto epidêmico, que geram angústia, raiva reprimida, sentimento de vingança, auto isolamento e, quando se chega na linha da sanidade, desastres acontecem, como o Massacre de Realengo (2011), em que um aluno invadiu sua antiga escola, matou 12 pessoas e depois cometeu suicídio.

De acordo com o site do MEC, um em cada dez alunos brasileiros é vítima de bullying, e isso se dá ao fato de que agressores e vítimas tem um fio de conexão relacionado a autoestima. A vítima tem uma autoestima muito baixa e declarada, porém se estabelece um traço narcisista por parte do agressor, que muitas vezes sofreu algum tipo de violência e abandono paternal, e também possui a autoestima baixa, e, por insegurança, usa de seu senso de liderança para persuadir seus colegas a perseguir a vítima, na qual normalmente se encontra em desvantagem para se defender, se sentindo ainda mais humilhada. Dentro dessa fenomenologia, ataques podem acontecer de forma verbal, física, material, sexual ou virtual. Mas também é importante entender que eles nem sempre são feitos de uma forma visível, pois o bullying é velado, e o agressor intimida sua vítima de formas indiretas, que são invisíveis no olhar dos educadores e colegas, pois é algo que se dá entre agressor e vítima, que é ferida sem que os outros percebam.

É de dever da escola educar os alunos para a convivência no coletivo. Muitas das pessoas que sofreram com o bullying na infância levam traços para a vida adulta, mesmo inconscientemente. Isso mostra a necessidade das instituições trabalharem o tema. Então, a escola pode chamar os pais ao projeto e, com reuniões e palestras, mostrar seu papel, educando os professores e responsáveis a identificar uma situação. Só assim, será possível driblar os cenários como o ataque a Realengo, e evitar que mais mortes aconteçam em vão, num lugar que deveria transcender paz.