O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 16/05/2020

No Brasil, a Lei Antibullying, sancionada em 2016, obriga escolas e clubes a adotarem medidas de prevenção e de combate ao bullying. Apesar disso, essa forma de opressão é comum nas escolas brasileiras. Isso se deve não somente pelo desconhecimento da lei mas também pela naturalização e banalização da violência nas escolas. Dessa forma, é necessário combater essa problemática, pois, sua perpetuação pode ocasionar traumas físicos e psicológicos às vítimas, bem como a construção de uma sociedade violenta.

Em primeiro plano, é observado em algumas escolas, principalmente as quais não possui conhecimento e aplicação da Lei Antibullying, um ambiente opressor. O filósofo Michel Foucault em sua obra “Vigiar e punir” explica o surgimento dessa realidade, pois, historicamente, a escola pode se apresentar um ambiente autoritário e violento. Com isso, a visão do filósofo pode ser observada nas escolas brasileiras - através da imposição de padrões e regras que possibilitam a exclusão de determinados alunos, desrespeitando suas individualidades e diferenças. Nesse contexto, é formado o ambiente opressor exposto por Foucault.

Em decorrência da naturalização abordada, traumas físicos e psicológicos propiciam a queda no desempenho escolar da vítima e em alguns casos até mesmo a evasão escolar. Além disso, a reprodução dessa violência é comum. Conforme o educador brasileiro Paulo Freire “Quando a educação não é libertadora o sonho do oprimido é ser o opressor”. Tal máxima pode ser associada aos recorrentes casos de vingança e práticas de bullying de indivíduos que anteriormente eram vítimas.

Deve-se, pois, com o intuito de combater essa problemática, implementar mudanças. Primeiramente, é dever do Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, promover campanhas de promoção da Lei Antibullying - através da televisão e redes sociais, principais meios de comunicação da atualidade - com o objetivo de torná-la mais concreta e aplicável nas escolas. Em adição, é dever das escolas, realizar palestras - com a participação dos alunos e familiares - que abordem o tema bullying, com vistas a explicitar a gravidade do assunto e combater a banalização dessas violências. Durante essas palestras, o compartilhamento de experiências, por vítimas e agressores, é de grande valia, podendo despertar nos envolvidos um sentimento de empatia. Com essas medidas será possível construir um ambiente escolar menos violento e consequentemente uma sociedade melhor.