O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 24/05/2020
Na nova sequência cinematográfica ‘‘Animais fantásticos e onde habitam’’, é ressaltado o teor destrutivo do preconceito na vida de jovens bruxos, forçados a reprimir suas capacidades mágicas por sofrerem com fatores opressivos como o bullying, por exemplo. Dentro da narrativa, os sentimentos negativos levam à criação de um monstro que destrói tudo o que encontra e, em alguns casos, os próprios indivíduos que inconscientemente os originaram. Fora da ficção, o bullying também é uma atividade potencialmente perigosa a ambos praticante e receptor; por isso, fica clara a necessidade de investir em estratégias de amparo psicológico e social no combate à sua prática.
A priori, com referência ao clássico infantil ‘‘Coraline’’, no qual a personagem faz jus ao conceito emergente de ‘’escapismo’’, em que a realidade se torna tão dolorosa aos olhos da personagem ao ponto de ela preferir viver dentro de uma versão inventada da própria vida, os jovens têm motivações pessoais para fugir de problemas, embora nem todos fujam da mesma maneira. Nesse sentido, encaixa-se o pensamento do filósofo Slavoj Zizek, segundo o qual a violência seria não mais que uma forma de expressar contradições que, no caso dos ‘‘bullys’’, seriam problemas com a família ou qualquer outra dissidência interna. Por essa razão é tão essencial oferecer acompanhamento psicológico a esses indivíduos que, na verdade, só expressam um comportamento que reflete a própria opressão.
Paralelamente, em virtude do fato da escola ser o o berço desse tipo de manifestação, uma vez que os alunos estão submetidos a uma convivência praticamente diária, é necessário criar um âmbito mais receptivo a todos os indivíduos. Sob essa ótica, cabe ressaltar o pensamento de Jürgen Habermas, que defende que a inclusão e o amparo são prerrogativas para a criação de um ambiente harmonioso. Logo, fazer com que todos os estudantes sintam-se abraçados, apesar das diferenças, é essencial para combater comportamentos como o bullying.
Dessa maneira, medidas são necessárias para solucionar o problema do bullying no país. Para tanto, cabe ao MEC (Ministério da Educação) introduzir como obrigatória, por meio da oficialização de decretos que abranjam tanto escolas públicas como privadas, a introdução de pelo menos um profissional psicólogo para acompanhar psicologicamente os estudantes dessas instituições e fazê-los sentirem-se mais confortáveis no ambiente escolar. Além disso, o MEC também deverá criar uma plataforma digital gratuita que auxilie pais e professores, por intermédio de informativos e chats online com profissionais, a avaliar se jovens e crianças manifestam ou não sinais afetados (no quesito bullying), para eliminar, invariavelmente, esse tipo de comportamento e seus efeitos negativos no Brasil.