O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 02/07/2020
A série “13 razões porquê”, produzida pela empresa americana Netflix, narra a vida da jovem Hanna, que é vítima de bullying, e as consequências dessa perseguição sistemática na sua vida. De maneira análoga, no Brasil, as leis de combate ao bullying não são eficientes, por conta da negligência familiar e escolar ao naturalizar a existência do mesmo, o que traz consequências como traumas físicos e psicológicos para a vítima e também a reprodução da violência em sociedade.
Em primeira análise, cabe ressaltar que apesar da aprovação da Lei Anti-Bullying no Brasil em 2015, que responsabiliza as escolas e as famílias pela ocorrência do bullying, esse tipo de violência ainda é presente na realidade das crianças e adolescentes no país. Nesse sentido, conforme demostra os dados do PISA de 2015, cerca de 9% dos alunos brasileiros sofrem com esse assédio nas escolas. Dessa maneira, nota-se a negligencia familiar e escolar em proteger os jovens das perseguições sistemáticas. Isso porque, tal ato ainda é tido como normal e naturalizado pela sociedade. A exemplo disso, a personagem Hanna procura diversas vezes por ajuda para enfrentar bullying, mas ouve que esse tipo de perseguição é algo natural do convívio escolar. Assim, muitas escolas e famílias naturalizam o bullying, tratando-o como algo normal, o que impossibilita a vítima de receber ajuda.
Ademais, negligência no combate ao bullying traz consequência físicas e psicológicas para a vítima ao longo da vida e alguns casos pode também levar a reprodução da violência sofrida em terceiros. Desse modo, a perseguição constante pode agravar casos de depressão, estresse pós traumático, e até levar ao suicídio, visto que, conforme citado pelo sociólogo Emilé Durkein, este é influenciado pela sociedade. Além disso, ao sofrer ataques sistemáticos o indivíduo pode internalizar a violência e usa-la como meio de resposta aos abusos sofridos, como ocorreu em Realengo em 2011, quando um ex aluno que sofria bullying efetuou um tiroteio em massa em uma escola municipal para se vingar de seus abusadores. Portanto, negligenciar o combate ao bullying pode causar dados permanentes a vítima e a sociedade como um todo, pois propaga e difunde a violência.
Em suma, cabe as Secretarias Municipais de Educação efetuar campanhas de combate ao bullying nas escolas brasileiras, por meio de palestras que incluam os pais, já que a família é um pilar importante no combate a esse tipo de abuso, a fim de conscientizar o corpo docente das escolas e também o meio familiar da importante do combate ao bullying e não permitir que este seja negligenciado. Além disso, cabe ao Ministério da Educação fornecer profissionais da área de psicologia para as escolas brasileiras, para prestar apoio às vítimas e amenizar os danos causados pelo bullying.