O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 14/07/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à prática do bullying nas escolas, visto que no Brasil, três em cada dez alunos sofrem algum tipo de agressão, conforme dados divulgados em 2018 pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a falta de conhecimento e a lenta mudança na mentalidade social.
A princípio, a falta de conhecimento apresenta-se como um complexo dificultador. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre as consequências do bullying e como combatê-lo, sua visão será limitada. Segundo reportagem publicada em 2017 pelo jornal “Estadão”, muitas escolas desconhecem a “Lei Antibullying”, realidade preocupante que dificulta a erradicação do problema, já que a lei obriga escolas e clubes a adotarem medidas de prevenção e combate à prática de atos de violência física ou psíquica.
Outro ponto relevante nessa temática é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do bullying é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, muitos brasileiros acreditam que esses abusos podem ser encarados como parte do processo de crescimento do indivíduo. Portanto, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante/ opressor/ injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a gravidade do bullying, bem como incentivar a empatia e o altruísmo no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de saúde mental. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama desafiador e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.