O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 10/06/2020

A série norte-americana “13 Reasons Why” conta a história da personagem Hannah Baker que cometeu suicídio devido, entre outros fatores, a distúrbios mentais causados pelo bullying que sofria na escola. Fora da ficção, esse problema é recorrente no Brasil e acontece tanto no conviveu pessoal como no meio digital, devido não só a subnotificação dos casos, como também pela falta de fiscalização nas redes sociais. Com efeito, evidencia-se a necessidade de medidas que una família, escola e governo no combate a essa modalidade de violência.

De início, deve-se pontuar que a escola, responsável em promover a educação do indivíduo, não está cumprindo com seu papel, pois atua como o principal agente do bullying. Prova disso, a maioria dos casos acontece nesse ambiente e passa despercebido pelos professores e pela família. Assim como a jovem Hannah, as vítimas preferem omitir os casos por medo das constantes ameaças que recebem, favorecendo que essa prática seja tão recorrente na sociedade. Além do mais, as redes sociais se tornaram um veículo de propagação dessa violência, pois, por meio do anonimato, é possível criar perfis para disseminar mensagens de ódio, uma vez que, não existe uma fiscalização eficaz que atue nessa área.

Ainda convém lembrar que as consequências causadas pelo bullying são a longo prazo, contribuindo para o agravo do problema. Dessa maneira, indivíduos que sofrem agressões físicas e verbais desenvolvem, com o passar do tempo, transtornos mentais e distúrbios comportamentais, passando a agir com violência como uma forma de defesa. Esse fato pode ser observado na tragédia de Suzano, em São Paulo, quando dois jovens invadiram e atiraram em alunos e funcionários da escola e, assim como Hannah, se suicidaram devido ao esgotamento psicológico. Logo, é notório que se precisa combater essa violência para evitar que aconteçam danos irreversíveis.

Portanto, com vistas a frear as práticas de bullying na sociedade brasileira, o Ministério da Educação, em parceria com escolas, deve capacitar professores, pais e alunos por meio de oficinas e palestras socioeducativas com uma equipe especializada – com o intuito de ensinar a reconhecer os sinais dessa agressão dentro e fora da escola –, para que essa violência não passe por despercebida. Em adição, os criadores das redes sociais poderiam desenvolver ferramentas capaz de identificar e bloquear palavras e frases de ódio, assim como foi feito no AskFM, uma rede social de perguntas e respostas. Dessa forma, o combate a essa modalidade de violência será erradicada.