O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 10/06/2020
O filme “Um grito de socorro”, já exibido pela rede globo, conta a história do menino Iohan, que após sofrer com humilhações e ofensas dos colegas de turma e não receber ajuda dos amigos e professores, comete suicídio atirando-se em um lago. A história evidencia a problemática do bullying nas escolas, que desde as brincadeiras de mal gosto até as agressões físicas, traz inúmeros prejuízos sociais. A negligência dos responsáveis e o silêncio das vítimas são situações que contribuem a esse cenário. Isso mostra que sanar esse revés é um desafio a ser superado.
Essa situação se deve, principalmente, à escola, que conta com profissionais despreparados a lidar com o problema e conversar a respeito. Com isso, logo na infância a prática do bullying se desenvolve, devido a impunidade e a falta de empatia desses indivíduos. Ademais, o silêncio da vítima dificulta a identificação da família, de forma que a mesma se sinta completamente isolada, aumentando as chances de desenvolverem problemas psicológicos. Paulo Freire evidenciava que “é papel da escola expor injustiças, incentivar a colaboração e a convivência com o diferente”, em seu modelo de “cultura da paz”, a fim de evitar situações do gênero.
É impressionante observar os impactos psicológicos do bullying na vida de um indivíduo, dentre eles a baixa autoestima, a insegurança, e o ódio pelos agressores. Dessa forma, casos como o massacre na escola de Suzano, em que os atiradores foram motivados a matar por vingança do bullying sofrido, representam a dimensão das consequências ruins que a não solução do problema pode causar. Além disso, crescem os índices de baixo rendimento e evasão escolar nesses indivíduos, o que gera o sentimento de não pertencimento, e aversão ao ambiente educativo.
Diante do exposto, portanto, é necessária uma intervenção estatal nas escolas públicas e privadas, criando uma política eficiente de prevenção ao bullying, com punições aos agressores e amparo às vítimas de acordo com modelos pedagógicos adequados. Somado a isso, é papel da família promover o comportamento empático e manter o diálogo com os estudantes de forma acolhedora a fim de quebrar o silêncio dos mesmos a respeito do tema. A mídia, por sua vez, deve disseminar campanhas contra a prática do bullying, apresentando os malefícios deste e promovendo a discussão e aversão ao mesmo. Desse modo, histórias como a do personagem Iohan, que tanto se assemelham a realidade, possam ficar no passado e jamais tornarem a se repetir.