O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 22/06/2020

No livro “Por Lugares Incríveis” de Jennifer Niven, são apresentadas as consequências nefastas que o “bullying” pode gerar na vida de uma pessoa, no caso de Theodore Finch-protagonista da obra- elas lhe custaram a vida. Fora da ficção, é fato que o drama da obra não se distancia do atual cenário brasileiro, isto é, hodiernamente, esses atos de opressões são cada vez mais banalizados nos ordenamentos societais e desencadeando resultados graves, tais como, massacres e suicídios.

Em primeiro plano, consoante a teoria da “Banalidade do Mal” de Hannah Arendt, a violência, por estar tão enraizada na sociedade acabou sendo normalizada. Assim como, é observado no caso de Finch, em que, a escola, família e amigos são omissos e negligentes para com as perseguições e intimidações que o jovem sofre. Junto a isso, vale ressaltar a periculosidade do sentimento de revanchismo que pode ser cultivado na psique do oprimido, tal como o caso verídico que ocorreu no Rio de Janeiro em 2011, onde um ex-aluno, vítima de “bullying”, invadiu a escola em que estudou e disparou contra dezenas de estudantes indefesos a fim de se vingar do seu triste passado de opressão.

Em segundo plano, com base nos postulados do contrato social de Thomas Hobbes, é fato que cabe ao Estado garantir a paz e a ordem. No entanto, na medida em que se faz análise da atual conjuntura que deflagra conflitos como os massacres de Realengo, Suzano e do colégio Goyases, conclui-se a transgressão do Estado ao documento de Hobbes. Uma vez que, a omissão dos indivíduos próximos a vítima aliada a impunidade dos agressores sobrepõem-se aos princípios do contrato.

Portanto, a fim de desatar as amarras do combate ao “bullying”, é fundamental ação pública. Dessa forma, cabe ao Estado promover mais investimentos nas escolas-mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias-as quais realizarão palestras e debates com os alunos. Ministradas por psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais, com o intuito de explicitar a gravidade do assunto e combater a agressão.