O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 01/07/2020
A Carta Magna de 1988 assegura o direito à integridade moral e física a todos os cidadãos. Entretanto, a existência e a consistência de casos de bullying no Brasil, principalmente, em escolas, evidenciam que nem todas as pessoas conseguem desfrutar desse direito constitucional[tese]. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para parte da população brasileira, cujo combate a esse fenômeno não tem sido efetivo, seja pela inércia familiar[d1], seja pela ineficiência estatal[d2].
Mormente, é evidente que a negligência da família, frente a essa problemática, tem se apresentado como um dos principais fatores que retardam o combate ao bullying no Brasil. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo da família, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo. Nesse sentido, pode-se afirmar que, hodiernamente, de acordo com o pensador, a família se preocupa mais com as aparências do que com o acolhimento; o que pode ser observado, inclusive, nas relações entre pais e filhos, no qual os familiares, muitas vezes, negligenciam a saúde mental e física deles, seja por falta de tempo, por antipatia ou até mesmo ignorância. Tristemente, tais atitudes pouco contribuem para a evolução do combate ao bullying, uma vez que os pais deviam ser os primeiros a ouvirem e acudirem os próprios filhos.
Outrossim, a ineficiência do Estado também contribui para esse panorama. Isso pode ser observado pela carência de assistência pedagógica e psicológica na maioria das escolas. Consoante a professora e pesquisadora de Pedagogia da UFMG, Vera Lopes, a maioria das escolas, não só de Belo Horizonte, mas de Minas Gerais, convivem somente com um diretor, professores e funcionários básicos para o funcionamento, abstendo-se da presença de profissionais que possam conversar diretamente com os alunos. Dessa forma, isso abre brechas para que pessoas más intencionadas possam violentar outros estudantes, seja fisicamente ou psicologicamente. Destarte, enquanto não houver profissionais psíquicos em centros educacionais, as vítimas sofrerão caladas e com pouco amparo.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura(MEC), instituição a qual tem o poder de intervir em educandários, crie uma campanha contra o bullying, mediante a incorporação de profissionais da pedagogia nas escolas e promover reuniões com os pais, abordando questões sobre o bullying e fazê-los conversar com os filhos sobre o assunto. Assim, espera-se que com uma sociedade mais ativa, tanto pela parte dos pais quanto do Estado, o combate ao bullying seja efetivado e ampliado.