O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 03/07/2020

Na série canadense “Anne with an E”, Anne é uma garota que sofre bullying na escola na qual estuda, em razão de sua aparência física e pelo fato de ela ser órfã e adotada, chegando, inclusive, a ser ridicularizada pelo seu próprio professor em alguns momentos. Fora das telas de televisão, o bullying é uma problemática que persiste na sociedade, e sua ocorrência decorre da banalidade como o tema é tratado por parte do corpo social e a escola, o que contribui para sua perpetuação e o consequente assolamento das vítimas.

Em primeiro plano, é válido pontuar que a incidência de bullying no país é reflexo de dados como os da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), os quais revelam que apenas 28% dos diretores das instituições de ensino fundamental consideram o bullying um problema. Nesse contexto, tal indiferença minimiza os efeitos nefastos que tal prática traz para os agredidos, o que traduz o conceito de “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, o qual consiste em naturalizar ações danosas à sociedade. Assim, as vítimas encontram-se desamparadas por instituições, como a escola, que deveriam protegê-las das agressões sofridas.

Ademais, nota-se que, devido ao baixo respaldo social recebido, a vítima se isola e, muitas vezes, esconde o problema dos familiares. Diante disso, quadros de depressão e ansiedade, associados ao baixo rendimento escolar e evasão de ambientes de ensino, tornam-se cada vez mais frequentes, culminando, nas situações mais extremas, em suicídio. Destarte, analogamente aos poetas românticos da “Geração Mal do Século, as vítimas veem a retirada da vida como um escapismo capaz de tirá-las de uma realidade cruel. Assim, vê-se a imediata necessidade de intervenção dos atores sociais, de modo que o bullying seja combatido.

Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar o problema. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação instruir professores e alunos, por meio de campanhas nas escolas, ministradas por psicólogos e sociólogos, acerca de medidas de prevenção ao bullying, de tal maneira que sejam abordadas questões relativas à autoestima e de como lidar com as diferenças, com o fito de evitar atitudes indiferentes e coniventes com a prática. Por fim, o Ministério da Saúde deve oferecer terapias nas unidades de saúde da família, feitas por psicólogos experientes no assunto, para as vítimas, ao menos uma vez por semana, buscando, assim, amenizar os traumas sofridos por elas e assegurá-las de que casos como o de “Anne” não serão mais tolerados.