O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 16/07/2020
Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro aceso que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a falta de combate ao bullying no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar as questões políticas e sociais que envolvem essa questão no país.
De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente perante a falta de investimento financeiro na segurança das vítimas de bullying. Isso porque um adolescente, que sofre intimidações, pode ter interesse de relatar a um profissional da instituição escolar o que tem sofrido. Contudo, entender que pode sofrer represálias do agressor apresenta-se como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).
Ademais, enfatiza-se que há uma certa resignação social diante da falta de combate ao bullying. Como prova disso, percebe-se que a inércia de parte da população ao não lutar por assistência estatal, visto que falta oferecer auxílio psicológico às pessoas vítimas de ameaças, nas instituições de ensino, já que a ausência dessa assistência pode causar problemas psíquicos, comprometendo, assim, o direito à saúde do indivíduo. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, dessa forma, o senso crítico desses.
Constata-se, finalmente, que a falta de combate ao bullying deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, o investimento financeiro, priorizando verbas, a partir do Ministério da Educação, para a criação de projetos de segurança às vítimas de intimidações, objetivando, com isso, que elas não tenham o receio de relatar ataques que sofreu. Além disso, é fundamental sensibilizar a sociedade, via organizações não governamentais, a fim que essa problemática não seja banalizada, o que pode ser potencializado, por intermédio do Ministério da Saúde, através da aplicação de capital nas escolas, com o objetivo de admitir profissionais da psicologia para auxiliar os jovens a enfrentar os problemas psíquicos causados pelas ameaças, assegurando, desse modo, o direito à saúde. Dessa forma, assim como no quadro “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de resolução dos impasses existentes.