O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 19/07/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Entretanto, quando se analisa, o combate do bullying principalmente no Brasil, hodiernamente, observa-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática insiste intrinsecamente ligada a realidade do país seja pela falta de conscientização da família ao combater esse ato, seja pelo despreparo dos sistemas educacionais em lidar com a situação, gerando consequências que podem ser irreversíveis.

Em primeiro plano, destaca-se o papel do adulto que, segundo a filosofa alemã Hannah Arendt, é responsável pela educação da criança, o que implica que suas ações são frutos do que lhe foi ensinado. Muitas crianças reproduzem o que escutam principalmente na esfera familiar, e isso molda o seu modo de agir com os outros. A família é a Instituição Social primária e, por isso, é a principal agente transmissora de valores, porém quando há falhas nessa transmissão, como nos casos da inexistência do diálogo ou a reprodução de comportamentos negativos, a criança/adolescente pode vir a sofrer consequências negativas, uma vez que os familiares muitas vezes não tem conhecimento de que seu filho possa ser uma vítima ou até mesmo um agressor.

Concomitantemente a isso, é inegável que boa parte do bullying ocorre no ambiente escolar, onde as crianças e adolescentes formam relações e convivem com diversas pessoas. Sob este aspecto, a escola é uma instância socializadora, cabendo a mesma desenvolver não só a parte de conhecimento teórico curricular, mas ter como meta a formação de cidadãos que respeitem as diferenças e promover a aceitação dos alunos que têm dificuldade de inserção ao universo escolar. Porém, esse objetivo em sua maioria não é exercícido, uma vez que segundo a pesquisa realizada pelo portal G1, os especialistas afirmam que as escolas brasileiras não estão preparadas para desenvolver o assunto, a não ser de forma pontual e de maneira superficial, perpetuando esse cenário segregador.

Por conseguinte, medidas são necessárias para combater o bullying no Brasil. Cabe ao sistema midiático, como incentivadora de criticidade, em parceria com o Governo, desenvolver campanhas que sejam difundidas em horário nobre da programação televisiva, a fim de conscientizar a população e levar a questão à família, mostrando a relevância do assunto ser tratado em casa. Para mais, o Ministério da Educação, no âmbito de autoridade do ensino, deve promover palestras sobre tais práticas nas escolas e também disponibilizar psicólogos para apoiar as vítimas a fim de diminuir o receio dos jovens em procurar ajuda, para, desse modo, diminuir as angústias dos traumas psicológicos. Desse modo, é possível imaginar um futuro menos sombrio para as crianças.