O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 07/08/2020

O combate ao bullying no Brasil

No dia 20 de abril de 1999, um massacre escolar em Colorado, nos Estados Unidos, chocou o mundo todo sobre a violência em instituições de ensino e provocou, consequentemente, um longo debate sobre bullying e formas de combatê-lo, uma vez que poderia causar atos de hostilidade em um ambiente supostamente seguro. No Brasil, a realidade não é diferente; porém, a prevenção e o combate à prática foram debatidos nas escolas apenas em 2016, tornando-se lei neste ano. Dessa forma, é evidente que a luta no país, diferentemente da situação norte-americana, é recente e necessita ser analisada, visto que possui graves consequências na vida do agressor e da vítima.

Primeiramente, cabe apontar a dificuldade das escolas em promover um diálogo com seriedade a respeito destas situações. À proporção que as vítimas sofrem agressões físicas ou verbais, se torna mais complicada a comunicação aluno e professor, uma vez que estas atitudes influenciam na autoestima e no psicológico dos menores de idade. Segundo dados do IBGE, coletados entre adolescentes de 13 a 15 anos, aproximadamente 195 mil alunos nessa faixa etária disseram ter sofrido bullying por parte de colegas de escola, sendo a maior queixa das vítimas os julgamentos a respeito da sua aparência física.

Ademais, cabe salientar o caráter sistemático das agressões em ambiente estudantil. Este fenômeno se diferencia das demais atitudes agressivas por sua persistência e intencionalidade, que provoca sérias consequências na vida dos envolvidos. De acordo com a diretora educacional da Escola Lourenço Castanho, de São Paulo, Karyn Bulbarelli, o estudante que agride ou oprime um colega a ponto de constranger ou machucá-lo repetidas vezes expressa muita fragilidade emocional e alto nível de sofrimento psíquico. Dessa forma, o diálogo com o agressor se torna extremamente necessário para o combate ao bullying.

Portanto, indubitavelmente, ainda há entraves para a resolução deste problema que possui diversas faces e sequelas na vida de crianças e adolescentes. Cabe ao Ministério da Educação, promover campanhas e debates nas escolas sobre a violência nas escolas e como os professores devem agir nestas situações de forma correta, tendo consciência dos fatores que podem levar o agressor a cometer tais atos. Dessa forma, espera-se que as escolas, como instituições de ensino e visando o bem estar dos alunos, promovam um local propício ao diálogo e seguro para todos os alunos.