O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 17/08/2020

Sérgio, narrador-personagem do escritor Real-Naturalista Raul Pompéia, descreve a violência estrutural que sofria no colégio interno que dá nome ao livro “O Ateneu”. Fora da ficção, quando se observa o ineficiente combate ao bullying, no Brasil, percebe-se que esse padrão persiste hodiernamente. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: a mentalidade social e a negligência governamental.

Em primeira lugar, cabe pontuar que o pensamento retrógrado contribui para a dificuldade de combate a questão. De acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito sobre a “Banalidade do mal”, o pior mal é aquele visto como cotidiano, corriqueiro. Prova disso são as brincadeiras de mau gosto presente no dia a dia escolar, como apelidos e trotes, que embora verificado como atos de discriminação, ainda são tratados com uma sensação de normalidade pelos pais e professores. Por conseguinte, esses tipos de agressões psicológicas e até físicas contra minorias, principalmente, como aos grupos LGBTQI+, negros e deficientes físicos tendem a ser normatizadas.

Além disso, vale ressaltar o descaso estatal, sobretudo na esfera executiva, como umas das causas do problema. Segundo o filósofo inglês John Locke, é necessário estabelecer um contrato social em que o Estado garanta os direitos individuais dos cidadãos. De maneira análoga, observa-se a violação desse contrato, uma vez que o poder público deixa de cumprir sua função para a manutenção da tolerância, por intermédio da pouca proteção nas redes sociais que permite, assim, o prolongamento dessa violência, antes restrita somente a ambientes físicos, como escolas, mas agora também migrada para o meio digital reconhecida como cyberbullying. Dessa forma, evidencia-se que os direitos individuais dos infantes permanecem no papel.

Infere-se, portanto, que esse quadro de bullying, no país, é fruto, principalmente, da mentalidade social e da negligência governamental. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com ONGs do setor educacional, alertar os pais e professores acerca da necessidade impor limites as crianças que têm algum comportamento abusivo e frequente, por meio de palestras elucidativas periódicas ministradas por psicólogos, com a finalidade de ensinar o respeito a diferença trabalhando ,assim,na prevenção. Desse modo, o Colégio Ateneu não será mais uma alegoria para nossas escolas hoje.