O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 18/08/2020
Definido como um ato de violência intencional, o bullying tem crescido cada vez mais no Brasil. Para combatê-lo, foi sancionada, em 2015, a lei de número 13.185, popularmente conhecida como ‘‘Lei Antibullying’’. Entretanto, mesmo em vigor a mais de cinco anos, o bullying ainda é um problema social que persiste. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo e a negligência das instituições de ensino colaboram a questão.
Em primeiro plano, o exacerbado individualismo é o principal responsável pelo advento da prática do bullying no Brasil. Isso acontece porque, conforme Zygmaun Bauman, em sua tese ‘‘Modernidade Líquida’’, o indivíduo pós-moderno tende a ingressar na estrutura social brasileira, potencializando o progresso social. No entanto, uma parcela da sociedade - em especial os jovens - não desenvolvem, de fato, as relações sociais que desenvolvem durante a formação escolar. Sob tal ótica, por exemplo, conforme o Programa Internacional de Avaliação dos Estudante (PISA), 17% dos estudantes brasileiros já foram vítimas de atos de bullying. Como consequência disso, as vítimas desenvolvem não só traumas físicos, como também psicológicos e, consequentemente, tem seu desempenho escolar afetado negativamente.
Outrossim, a negligência escolar - no que diz respeito ao efetivo cumprimento da lei - contribui na problemática. Isso porque, segundo a perspectiva de Hannah Aredent, socióloga alemã do século XX, em sua teoria sobre Espaço Público, os ambientes e as instituições públicas - incluindo escolas e faculdades - têm que ser completamente inclusiva a todos no âmbito social para exercer sua total genuinidade e funcionalidade. Desse modo, nota-se que as escolas brasileiras não cumprem seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não cumpre, de forma efetiva, a lei ‘‘antibullyng’’. Nessa Lógica, o bullying é naturalizado e banalizado nas instituições de ensino no país. Por conseguinte, o indivíduo cresce sem nenhum amparo educacional e torna-se mais propenso a praticar atos de bullying.