O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 22/08/2020
Na obra “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, é retratada a trajetória de Fabiano, que procura por melhores condições de vida, como uma boa saúde. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Ramos pode estar relacionada ao problema do bullying no século XXI. No entanto, a precariedade de investimento em saúde mental nas escolas e o uso inadequado da internet corroboram para o aumento da violência no Brasil. Com isso, faz-se necessária uma intervenção que busque reverter esse panorama.
De início, tem-se a noção de que a Constituição Federal assegura a todos os cidadãos o direito à saúde física e mental igualitária. Porém, o Brasil está inserido em um contexto desigual e que gera a carência de investimentos no combate ao bullying - por parte do Estado - nas escolas públicas. Sendo assim, essa agessão que impacta a todos continua crescendo gradativamente. Nesse contexto, a teoria do escritor Gilberto Dimenstein no livro “O Cidadão de papel”, de que nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais são cumpridas, se comprova verdadeira quando comparada à realidade das vítimas de bullying no Brasil. Desse modo, a falta de psicólogos nas escolas contribui para que o país não cumpra seu dever constitucional.
Sob essa ótica, o psicanalista Sigmund Freud - em sua teoria desenvolvimentista - tratou da influência do meio na formação do indivíduo. Acerca dessa lógica, o uso inadequado da internet é capaz de criar um ambiente violento, em que muitos internautas praticam o discurso abusivo contra outros usuários. Dessa forma, fica claro que o cyberbullying pode causar danos no desenvolvimento pessoal do ser humano, além de proporcionar o dilaceramento emocional da vítima.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério da Saúde elabore, por meio de verbas governamentais, uma diretriz de investimento voltada à difusão da saúde de qualidade - como a procurada por Fabiano no livro “Vidas secas” - a fim de proporcionar atendimentos psicológicos nas escolas brasileiras, para auxiliar no tratamento das vítimas e dos agressores do bullying. Somente assim, os cidadãos poderão atingir maior consciência e responsabilidade social.