O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 24/08/2020

Perseguição. Humilhação. Violência. Problemas psicológicos. Essas são apenas algumas das características de um cenário preocupante encontrado na realidade escolar mundial: o bullying. Dentro desses aspectos, a persistência de agressões verbais e físicas motivadas por futilidades é motivo de preocupação para o meio estudantil brasileiro. Nesse sentido, a normalização dessa prática perigosa e suas graves consequências entre crianças e jovens precisam ser combatidas.

Em primeira análise, cabe ressaltar a banalização de ações intimidadoras e estereotipadas no Brasil. Tendo em vista a não aceitação de quem é “diferente”, é possível observar no comportamento juvenil a necessidade de sobreposição ao próximo. Desse modo, diferenças raciais, religiosas, físicas ou intelectuais são pressupostos para atitudes hostis já enfrentadas por cerca de 43% das crianças e dos jovens brasileiros, de acordo com a ONU. Diante dessa perspectiva, a filósofa Hannah Arendt traz o conceito de banalidade do mal, ressaltando que a constante prática de atitudes agressivas gera uma normalização das mesmas, tornando, assim, a prática do bullying em algo comum. No entanto, tal postura precisa ser revertida visando o bem estar psicológico dos alunos brasileiros.

Ademais, as consequências do bullying se mostram desastrosas. Acerca dessa premissa, as séries “Os 13 Porquês” e “Control Z” retratam os transtornos psicológicos que essa perigosa mazela social pode causar, levando jovens até ao suicídio. Além disso, o bullying pode desencadear ações extremas dos estudantes contra as escolas, locais onde a prática é mais comum. Prova disso são os ataques com armas de fogo ocorridos no Brasil em Realengo - Rio de Janeiro - no ano de 2011 e em Suzano - São Paulo - no ano de 2019, ambos causando a morte de alunos e de professores, motivados pela perseguição e pela humilhação sofridas. Desse modo, perpetua-se a seriedade do assunto em questão e a necessidade de identificar e combater essa lastimável atitude juvenil.

É imprescindível, portanto, que a prática do bullying seja tratada no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação, aliado ao Serviço de Orientação Educacional das escolas, deve promover campanhas informativas para que todos possam identificar ações intimidadoras, assim como os praticantes dessas ações hostis e suas vítimas. Paralelamente, por meio da capacitação dos docentes e da criação e divulgação de canais de apoio àqueles que sofrem com o bullying, será possível reconhecer a realidade das perseguições para encaminhá-las a psicólogos e tutores para serem solucionadas. Assim, o ciclo da banalização será rompido, evitando que novas tragédias aconteçam nas escolas e proporcionando melhorias à saúde mental dos jovens brasileiros.