O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 27/08/2020
Na série televisiva “Sex Education”, o personagem Eric é um adolescente que, por suas roupas e sexualidade é regularmente abordado e assediado por Adam. Por sua vez, é demonstrado como Adam é constantemente reprimido e desprezado na esfera domiciliar pela figura do pai. Por certo, fora da ficção a prática de bullying é muito recorrente nas escolas do Brasil. É inegável, portanto, que a contribuição para a prática dessa violência está na conservação de ideias preconceituosas, bem como na desestruturação das escolas.
Em primeiro lugar, é importante considerar a permanência de preconceitos na sociedade como engrenagem para a prática de bullying. Diante disso, observa-se que na maioria das vezes as vítimas de agressões são crianças e adolescentes que fogem dos padrões sociais. Sendo assim, em consonância com a violência nas escolas tem-se em conjunto no mesmo ambiente a prática de gordofobia, racismo, homofobia e outras opressões. Portanto, sendo as escolas reflexo do entorno social, percebe-se o quanto a intolerância vem transformando crianças e adolescentes em alvos e vítimas em potencial.
Por conseguinte, tem-se o despreparo das instituições de ensino, fator que agrava o contexto. Nesse sentido, para a sociologia Durkheimiana, o ser humano é formador da sociedade e também um produto dela. Partindo desse pressuposto, a falta de medidas para a construção de um pensamento em respeito às diversidades nos espaços de aprendizagem, reflete a inviabilidade de um ambiente promotor do bem estar individual e coletivo. Além disso, observa-se na maioria das escolas mecanismos punitivos à prática de agressões, em detrimento de alternativas pedagógicas que visem o diálogo.
Logo, fica evidente a urgência na reconfiguração desse cenário. Então, cabe ao Ministério da Educação proporcionar a materialização de um ambiente escolar estruturado com pedagogos e psicólogos responsáveis para a promoção de ações proativas no embate ao bullying. Ademais, isso pode ser concretizado por meio de novas diretrizes curriculares que comtemplam uma maior sociabilidade entre os alunos, como atividades educativas em que os estudantes possam compartilhar histórias e sentimentos, a fim de que, desde a socialização primária, esses indivíduos possam aprender a viver em coletivo e com a sociedade.