O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 03/10/2020

O artigo 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê que nenhum menor de idade pode ser objeto de negligência, opressão ou exploração, bem como os autores desses atos e aqueles que permaneceram omissos devem ser punidos. Contudo, percebe-se na sociedade contemporânea várias formas de descumprimento nessa lei, como nas escolas e mídias sociais. Sob tal ótica, o combate ao bullying é imprescindível no Brasil, visto que ele é capaz de causar graves traumas e tem a sua origem na dificuldade de aceitar os indivíduos que são diferentes.

Inicialmente, as crianças que sofrem discriminação no colégio ficam com sérios danos na sua saúde mental. Em consonância com Pierre Bourdieu, a “violência simbólica” não é física, mas sim sutil e psicológica, bem como faz com que as vítimas se sintam as culpadas. Diante disso, o bullying atua, muita das vezes, pela via da agressão verbal, por meio do uso de apelidos inconvenientes, comentários maldosos sobre a aparência e discursos de inferiorização do outro. Nesse sentido, essas atitudes geram um ambiente negativo para o adolescente, no qual ele cresce com baixa autoestima, dificuldades de fazer amizades e medo de interagir socialmente. Nota-se, desse modo, os prejuízos do bullying na vida emocional das pessoas mais novas.

Outrossim, os alvos desse tipo de agressão são as pessoas que se distanciam do considerado “normal”. De acordo com Durkheim, os fatos sociais são as regras que dão coesão à sociedade, porém os indivíduos não as seguem sofrem sanções de diversos níveis, como prisão, multas e falas ofensivas. Dessarte, os padrões estabelecidos pela mídia e família são, geralmente, passados para os menores como os únicos corretos e a maneira utilizada pelas crianças para lidar com os que fogem do modelo idealizado de ser humano (branco, magro, de cabelo liso e outros) é a violência. Por conseguinte, os agressores são um reflexo de uma falha no ensino sobre respeito e empatia àqueles que são diferentes, pois, como afirmou Mandela, tanto o ódio quanto o amor podem ser ensinados.

É mister, portanto, tomar medidas que promovam um maior respeito e cumprimento dos direitos fundamentais previstos no ECA. Logo, cabe às universidades capacitarem melhor os futuros professores sobre como lidar com o bullying, por meio da ajuda de psicólogos especializados no público infantojuvenil na preparação de aulas que ensinem a importância da integração e do trabalho em equipe. Ademais, os docentes aprenderão a como auxiliar a vítima e orientar os detentores da guarda do autor da discriminação a como instrui-lo para que ele não repita essa atitude e aprenda a respeitar o diferente. Espera-se, assim, amenizar a violência simbólica que ocorre nos colégios e  promover um ambiente mais positivo para o desenvolvimento mental.