O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 22/09/2020

O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo ele, os seres humanos se encontram em uma caverna, em que estão habituados a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão do combate ao bulllying no Brasil pode ser bem representada pelo mito da caverna, visto que esse é um problema que vive às sombras da sociedade, em razão de que seus combates estão diretamente associados a aplicação de políticas públicas, bem como nos de debates sociais.

A priori, é necessário destacar que a falta de políticas públicas que atuem no combate do bullying nas escolas coopera para a preservação da cultura no país. Consoante a esse pensamento, o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, na sua obra ‘‘Contrato Social’’, afirma que o Estado é responsável por viabilizar ações para o bem-estar social. Nesse contexto, uma vez que o Estado se isenta do seu papel, não aplicando políticas públicas que invistam em treinamentos de profissionais que identifiquem situações de bullying nas escolas, ocorre a quebra do contrato social e constitucional. Desse modo, faz-se necessária a revisão da postura estatal com a sociedade.

Além disso, faz-se mister destacar que a falta de debates sociais que desmistifiquem o bullying e coloquem como primordial o seu combate contribui para a banalização dos acontecimentos. Neste prisma, a escritora Hannah Arendt desenvolve a teoria da ‘‘Banalidade do Mal’’, a qual defende que, quando uma atitude violenta ocorre com frequência e sem questionamento, essa ação passa a ser tratada como trivial. À luz disso, quando a sociedade não reavalia suas ações e comportamentos, silenciando debates sobre o combate ao bullying, acontecimentos violentos passam a ser banalizados promovendo o desmantelamento psíquico de quem sofre com as agressões. Diante disso, faz-se necessária a criação de debates e desmitificação destes assuntos na sociedade.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse viés, o Ministério da Educação, junto ao Estado deve criar medidas de investimentos em políticas públicas direcionados a campanhas e treinamentos nas escolas, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que os treinamentos devem ser realizados com todos os docentes e funcionários do colégio, bem como a criação de campanhas institucionais que promovam debates sobre o impacto do bullying, com fito de contribuir para o combate e aumentando as fiscalizações nos colégios e promover o acolhimento correto das vítimas, sabendo que o Estado tem um papel essencial na resolução do impasse.