O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 03/12/2020

Segundo a teoria da tábula rasa do filósofo John Locke, o ser humano molda a sua personalidade por meio de influências externas. Nesse sentido, nota-se que o bullying, problema recorrente no Brasil, afeta o desenvolvimento pleno da vítima, visto que os insultos terão um impacto negativo na formação de sua identidade. Diante disso, a negligência das escolas favorece a ocorrência desse tipo de agressão e apresenta como consequência as doenças psicossociais.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que a falta de atuação das instituições de ensino fortalece esse cenário nocivo. Sob essa ótica, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a escola é um mecanismo secundário de socialização responsável por incutir nos indivíduos valores e comportamentos socialmente aceitos. Entretanto, constata-se que esse papel fundamental não é cumprido por grande parte dos institutos, posto que, conforme dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), cerca de 30% dos estudantes alegam sofrer ataques mensalmente. Desse modo, ao supervalorizar o conhecimento técnico, esses locais de aprendizado não atuam na formação social dos alunos, o que faz com que esses jovens se tornem adultos intolerantes e preconceituosos.

Ademais, vale destacar os efeitos clínicos preocupantes do bullying. Nesse viés, o filme “Preciosa” retrata a história de uma adolescente que, devido às agressões verbais constantes de seus colegas, expressa uma postura de isolamento e adquire aversão a sua autoimagem. Tendo isso em vista, observa-se que, pelo fato de os insultos se referirem a alguma característica estética, a vítima tende a estabelecer uma relação de ódio com o próprio corpo. Dessa maneira, a baixa autoestima, aliada ao medo de ser alvo de novos ataques, faz com que essa pessoa deixe de realizar atividades que demandem contato com a comunidade, o que pode gerar depressão.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de combater o bullying no país. Para tanto, com o objetivo de formar cidadãos respeitosos e recuperar o bem-estar das vítimas dos ataques, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, promover rodas de conversa com os alunos para debater o bullying e oferecer treinamento aos professores para que esses identifiquem os sintomas desse tipo de violência. Tal ação deverá ser realizada por meio do acompanhamento de psicólogos, haja vista o vasto entendimento desses profissionais no que diz respeito ao comportamento humano e a sua habilidade para auxiliar na superação de traumas. Assim, o Brasil será composto por cidadãos conscientes que criarão um ambiente propício para o desenvolvimento de valores adequados e, dessa forma, influenciarão positivamente a formação de crianças e jovens, conforme é destacado por Locke.