O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 26/09/2020

Segundo Aristóteles, “a política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade”. Entretanto, o bullying crescente nas escolas brasileiras apresenta uma situação oposta da dita por Aristóteles, visto que, de acordo com o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), 3 em cada 10 alunos brasileiros dizem sofrer bullying algumas vezes ao mês. Nesse contexto, o problema é agravado devido a lacuna educacional existente diante de casos de violência verbal e física entre alunos, e o receio de denunciar essas violências por parte deles.

Em primeiro lugar, é possível afirmar que a lacuna educacional é causa latente do problema. Tal como Hannah Arendt declarava: “O espaço público deve ser reservado para que se assegure as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania”. Dessa forma, as escolas, especialmente as públicas, não asseguram uma proteção eficaz contra práticas de bullying no ambiente educacional, uma vez que há pouca discussão em torno da problemática. Desse modo, os colégios não fornecem um espaço de conforto e liberdade plena aos alunos que, muitas vezes, são constantes vítimas de violência verbal e física.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é o receio de denunciar o bullying. Assim como Immanuel Kant alegava: “O indivíduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal”. Nesse sentido, pode-se dizer que muitas crianças e adolescentes não comunicam os professores ou os responsáveis quando são vítimas de agressões físicas ou psicológicas, já que são intimidadas pelo agressor ou tem consigo vergonha da situação pela a qual passam. Dessa maneira, a resolução da problemática é dificultada, posto que grande parte dos casos de bullying são encobertos pelas próprias vítimas.

Diante disso, medidas devem ser tomadas. Para isso, as escolas devem fornecer palestras, fora do horário de aula e no próprio ambiente escolar, a respeito das consequências do bullying, apresentando casos como os de Suzano, em São Paulo, e da Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, a fim de criar uma consciência nos alunos sobre como suas ações impactam na vida de outras pessoas. Ademais, a mídia deveria criar uma campanha nas redes sociais com a temática: “Não ao bullying”, influenciando crianças e adolescentes a denunciarem para professores e responsáveis caso sejam vítimas de bullying. Em suma, a frase dita por Aristóteles poderá ser uma realidade na sociedade contemporânea de jovens e infantes brasileiros, os quais não sofrerão mais com as ameaças do bullying.