O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 26/09/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” Analogamente a pedra citada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade pode ser comparada com o impasse do combate ao bullying no Brasil. Nesse sentido, percebe-se configuração de um grave problema de contornos específicos, que emerge devido a uma educação deficitária e à ausência de debates familiares.
A priori, segundo a teoria da Tábula rasa de John Locke, filósofo inglês, o homem nasce como uma “folha em branco” ,ou seja, os seus costumes, seu modo de pensar e agir são aprendidos ao longo de sua história. Consoante a esta ideia, com a escassez de debates sobre a prática do bullying e o despreparo do corpo docente para lidar com a situação, o conhecimento sobre as consequências deste ato fica deturpado reverberando na problemática. Dessa maneira, além dos traumas e diminuição da autoestima, as vítimas desenvolvem doenças psíquicas como ansiedade e depressão que podem levar ao suicídio.
A posteriori, presencia-se a ausência de conversas familiares sobre bullying também como um fator para a permanência da problemática. Nesse sentido, o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, que a sociedade é como um “corpo biológico” composta por partes que interagem entre si, encontra-se defasado, do que essa interação nem sempre ocorre nas famílias quando o assunto é bullying.
Desse modo, crianças e adolescentes se sentem inseguros em contar que estão sofrendo bullying ou ,em outros casos, praticam o ato pois não receberam educação emocional e nem orientações adequadas sobre convívio social e respeito ao próximo.
Em suma, para que essa pedra seja retirada, cabe às escolas públicas e privadas promoverem educação emocional e prevenção ao bullying, por meio de aulas lúdicas de linguagem clara, em que o indivíduo é estimulado a desenvolver competências intra e interpessoais, sabendo lidar criativamente com seus conflitos e os do meio, a fim de que o problema seja erradicado. Além do mais, o Ministério da Saúde deve promover debates com os pais, mediante conversas nos postos de saúde locais, que falem sobre as consequências do bullying e da prevenção ao suicídio, com o intuito de que essas circunstâncias sejam vencidas com a ajuda da família.