O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 07/10/2020

O filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman considera o individualismo uma característica da modernidade líquida, esse atributo da modernidade também é associado ao bullying, quando combinado ao egoísmo e o descaso. Assim, conforme analisa-se os dados de pesquisas como a feita pelo PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), a qual aponta que 1 em cada 10 estudantes brasileiros é vítima do bullying, nota-se a necessidade de analisar como é combatido esse mal nas escolas públicas e privadas.

Nessa perspectiva, é importante ressaltar a lei instituída em 2015, que estabelece em todo o território o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e mostra-se uma importante ferramenta no combate ao bullying, uma vez que estabelece condutas que caracterizam o bullying e reconhece-o como um problema para a sociedade. Entretanto, para que essa lei surta efeito é necessário que professores e funcionários do âmbito escolar recebam treinamento e estejam preparados para lidar com esse tipo de situação, para que se previna casos de bullying e para que esse profissionais saibam lidar com os casos que já foram notificados.

Outrossim, cabe destacar a impunidade prevista na referida lei de 2015, que não estabelece nenhuma punição clara para os agressores, como por exemplo uma punição que vise educar, através de aulas e conversas com psicólogos, esse aluno para que o comportamento desse mude. Dessa forma, sem nenhum tipo de punição para o agressor, desencoraja-se o ato de denunciar a agressão sofrida por parte da vítima, que possivelmente virá a encontrar seu agressor nos corredores da escola, e receosa de algum tipo de represália, decide por não fazer uma denuncia.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação revisar a referida lei de 2015 e estabelecer punições para os agressores, punições essas que visem reinserir, no ambiente escolar em um curto período de tempo, esse aluno. Para isso é necessário que se crie nas escolas uma estrutura preparada para receber e educar esses alunos, com psicólogos e educadores. Ademais, é imprescindível que o Ministério da Educação crie livretes, cartazes e campanhas para as mídias sociais e televisão com o intuito de educar estudantes sobre o respeito ao diferente, utilizando-se de figuras conhecidas por esse público, como ‘‘youtubers’’ e cantores. Além disso, deve se trabalhar a educação dos pais de alunos, figuras que influenciam diretamente no comportamento desses, através de reuniões periódicas entre pais e professores, discutindo-se como educar os jovens à respeito de questões como a tolerância. Desse modo, talvez o individualismo será descartado como uma das características da sociedade moderna.