O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 07/10/2020
De acordo com o sociólogo francês Pierre Bordieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Portanto, analisando-se a situação do bullying no Brasil, percebe-se a validade de sua teoria. Uma das principais causas do bullying é a omissão da sociedade que, por preconceitos ou falta de informações, não dá a devida importância ao tema, que tem como consequência danos físicos, psicológicos e morais às vítimas.
Em primeiro lugar, é importante destacar a atitude da sociedade em relação ao bullying. Segundo o sociólogo Erving Goffman, a Teoria do Estigma Social preconiza a existência de ações preconceituosas que designam indivíduos como menos valorizados e desqualificados. Desta maneira, pessoas que não seguem o padrão social de beleza e comportamento estão mais vulneráveis ao bullying. Ademais, grande parcela da população é omissa às agressões, já que existe a concepção de que essa violência é uma brincadeira ou algo natural da infância e adolescência. Como consequência, muitos pais e professores ignoram o bullying, enquanto as vítimas continuam sendo violentadas. Embora essa cultura de omissão esteja enraizada em vários aspectos na sociedade, ela pode ser modificada e está em constante evolução.
Outrossim, destacam-se os problemas que o bullying pode causar às vítimas. É evidente que, após serem submetidas a agressões físicas e psicológicas, a vítima enfrentará diversos traumas que podem levar a casos de ansiedade, depressão, evasão escolar e, em casos extremos, o suicídio. Logo, fica clara a importância do acompanhamento familiar e educacional aos que foram violentados. Ademais, é necessário ressaltar que os agressores também podem ser vítimas. Isso é notado ao avaliarmos que, muitas vezes, eles vivem em ambientes violentos e também são agredidos por outros alunos. Assim, esta violência é repassada indivíduo a indivíduo, tornando-se um ciclo.
É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar essa problemática. O Estado, por meio do Ministério da Educação, deve ampliar as campanhas de combate ao bullying nas salas de aula, visando atingir alunos e professores para criar um ambiente agradável nas escolas. Além disso, ele deve, em conjunto com a mídia, veicular anúncios educativos na televisão e na internet, expondo as formas de combater este problema e estimulando o diálogo entre pais e filhos, além de dar instruções sobre como denunciar os casos. Com essas medidas sendo tomadas, o Brasil estaria um passo a frente no combate ao bullying.