O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 15/10/2020

Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta. Com efeito, percebe-se que o bullying remete à premissa de Sartre, uma vez que representa uma violência à dignidade das vítimas. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar os impactos educacional e psicológico causados por tal prática.

Nessa perspectiva, é lícito postular que crianças e jovens atingidos pelo bullying apresentam baixo desempenho acadêmico, uma vez que tendem a faltar as aulas com mais frequência e, até mesmo, abandonar os estudos. De fato, isso ocorre devido à ausência do sentimento de pertencimento em relação ao ambiente escolar e do constante medo das agressões e intimidações. Infelizmente, o censo realizado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos afirma que 16% dos jovens já sofreram agressões verbais, enquanto 9% sofreram agressões físicas. Desse modo, percebe-se um terreno fértil para que as vítimas de bullying sofram, posteriormente, com os efeitos da insuficiente performance acadêmica e da evasão escolar.

Por conseguinte, deve-se avaliar os danos psicológicos causados às vítimas de bullying. Indubitavelmente, a ciência comprova que os efeitos dessa prática resultam em doenças psicossomáticas como depressão e ansiedade, além de proporcionar sentimento de culpa e baixa autoestima. Em casos mais extremos, as vítimas, sem perspectiva de que a situação irá melhorar, recorrem ao suicídio. Dessa forma, percebe-se que esse panorama apresenta uma relação direta com o Romantismo, movimento literário do século XIX em que os poetas exaltavam a morte como fuga de uma realidade cruel.

É imprescindível, portanto, buscar soluções para esse impasse. Para tanto, compete à escola promover debates – mediante à presença de alunos e responsáveis - em que seja discutida a temática do bullying. Essa ação deve ser feita por meio da contratação de psicólogos e assistentes sociais, por exemplo, com o objetivo de sensibilizar potenciais agressores, além de apresentar os meios jurídicos e psicológicos existentes para lidar com a prática do bullying. Assim sendo, os resultados acadêmicos, bem como a saúde mental de nenhum indivíduo será comprometida, e a violência citada por Sartre contra a dignidade desses será erradicada do Brasil.