O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 31/10/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, fora da ficção, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor apresenta, uma vez que o bullying nas escolas exibe barreiras as quais dificultam a concretização das ideias de More. A respeito disso, esse cenário antagônico é fruto tanto da pouca efetividade dos setores governamentais na resolução do problema, quanto do precário ensino do Brasil, o que torna necessária a discussão desses aspectos para o pleno funcionamento da sociedade.

De início, pontua-se que a problemática deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Assim sendo, mesmo que existam leis voltadas ao combate do bullying, a exemplo da Lei que estabelece o Programa de Combate à Intimidação Sistemática que entrou em vigor em 2016, o que se vê, na prática, é que poucas revelam resultados positivos. Nesse cenário, isso acontece pois não há uma adequada fiscalização das autoridades para o completo desempenho dessas leis. Desse modo, é imprescindível a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Faz-se mister, ainda, ressaltar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Atualmente, com o Brasil entre os dez na economia mundial, seria racional acreditar que a nação possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é o oposto e o resultado desse contraste é refletido nos casos de violência nas escolas. Nessa perspectiva, isso ocorre devido à falta de medidas eficientes de conscientização e prevenção dessas recorrências, tais como campanhas educativas e assistência psicológica, social e jurídica aos envolvidos, o que leva a formação de indivíduos inconsequentes com seus atos ao próximo. Assim, verifica-se a fragilidade do ensino brasileiro como potencializador do bullying nas escolas.

Portanto, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação (MEC), instituir, na grade curricular das instituições de ensino do Brasil, atividades de prevenção e combate ao bullying, além de assistência psicológica e social ministrada por psicólogos para a vítima e agressor, a fim de que sejam atenuados todos os tipos de violência no âmbito escolar. Ademais, com o mesmo objetivo, o MEC deve, por intermédio de verbas governamentais, fiscalizar e efetivar, de forma concreta, as leis e normas relacionadas ao enfrentamento da problemática supracitada. Dessa maneira, os impactos do bullying nas escolas poderiam ser, em médio e longo prazo, amenizados e a coletividade estaria um passo mais próxima da “Utopia” de Thomas More.