O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 02/11/2020

Na obra ‘‘O Ateneu’’, de Raul Pompeia, o personagem Sérgio descreve o sofrimento cotidiano vivido por ele e por outros alunos do colégio. No romance, o bullying é evidenciado, por meio da representação de agressões advindas de vínculos de poder e opressão presentes na escola. Nesse contexto, o Brasil enfrenta o problema do bullying como um obstáculo a ser superado. Diante disso, é necessário discutir as raízes do problema, bem como as consequências desse fato social.

Em primeiro plano, é preciso destacar a importância da escola na solução de atos como o bullying. Segundo o filósofo Émile Durkheim, a escola é uma instituição importante e capaz de moldar o indivíduo á sociedade a qual ele faz parte. Dessa forma, é dever das escolas, junto às famílias, preparar as crianças e os jovens para a convivência no coletivo, por meio da exposição de injustiças e no estímulo ao respeito mútuo. No entanto, a formação socioeducacional da população é deficitária e pouco prepara os estudantes para o convívio com o diferente. Tal quadro se reflete na permanência e intensificação de agressões físicas, verbais e psicológicas contra minorias, principalmente, em ambiente escolar.

Em segundo plano, cabe mencionar as consequências do bullying para a sociedade. Como consequência dessa prática, a vítima desenvolve traumas e dificuldades de socialização, as quais afetam o bem-estar e a sua vida como um todo, o que pode levar ao desenvolvimento de patologias como a depressão e a ansiedade. Assim como na obra de Raul Pompeia, em que o personagem Sérgio, após sofrer vários tipos de agressões e ser desprezado, torna-se um jovem vingativo e um adulto precoce. Logo, é evidente que o bullying afeta o psicológico dos jovens e transforma-os em adultos oprimidos e na maioria das vezes, inseguros.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução dessa problemática. Por isso, cabe às escolas, por meio da inserção de treinamentos e atividades, a preparação de todos os profissionais da educação- haja vista o maior contato entre alunos e professores- a fim de que reconheçam possíveis agressões e situações de bullying e combatam-no de forma eficiente. Além disso, as instituições de ensino, devem promover atividades, como palestras, debates e apresentações artísticas, as quais envolvam as famílias -visto que essas instituições são máquinas socializadoras do Estado- por meio da contratação de psicólogos e psicopedagogos, com o objetivo de engajar os parentes na resolução de conflitos e atentá-los sobre as mudanças comportamentais dos filhos. Desse modo, será possível diminuir os casos de bullying e a construção de cidadãos empáticos.