O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 12/11/2020
Nos quadrinhos de Maurício de Souza, “Turma da Mônica”, Mônica é alvo de deboche de seus amigos Cascão e Cebolinha devido a seu peso, seus dentes e sua forma de agir. Fora dos limites ficcionais, situações como a que a personagem passa são denominadas de “bullying” e possuem grande incidência nas escolas brasileiras, uma vez que há a falta de formação dos professores, e o diálogo sobre diferenças é precário no núcleo familiar. Desta forma, torna-se necessário caminhos para o combate do bullying no espaço escolar, já que ele prejudica o desenvolvimento psicológico das vítimas.
Decerto, a baixa qualificação profissional dos docentes torna-se empecilho para a resolução da questão do bullying. Isso ocorre porque grande parte expõe aos alunos, somente, temas conteudistas, visando ao aprendizado científico e deixando em segundo plano a saúde psíquica do corpo discente. Segundo a psicanalista Sônia Makaron, as escolas brasileiras não estão preparadas para desenvolver o assunto, senão de maneira superficial, havendo a necessidade de trabalhar a cabeça do professor, expondo, assim, o modo como a instituição escolar se porta atualmente. Dessa maneira, a mudança de tais comportamentos é essencial para o fim da problemática.
Em segunda análise, o pouco diálogo com os jovens sobre diferenças, desde a infância, contribui para a ocorrência de bullying. Isso se dá, pois existe a dificuldade de abordagem sobre o tema nas famílias, haja vista que os tabus impostos na sociedade dificultam o diálogo, concedendo aos pais o medo de se expressarem da forma errônea ou não terem argumentações seguras para dar à criança. Conforme a psicopedagoga Adelaide Alves Dias, a escola está inserida num contexto, numa comunidade e numa sociedade, uma vez que há uma sociedade pacifista, a escola terá as mesmas características, o mesmo acontece em um meio violento. De modo equivalente ao que Mônica vive, já que as agressões que sofre a tornam violenta. Logo, esse cenário precisa ser revisto.
Torna-se imprescindível, portanto, a tomada de atitudes que mitiguem a questão do bullying no Brasil. Para isso, é papel do Ministério da Educação – órgão responsável pela capacitação estudantil de crianças e jovens – o acréscimo de aulas com psicólogos nas universidades aos alunos de graduações de licenciatura, a fim de orientar os futuros professores as formas de como prevenir e se posicionar em relação ao bullying. Além disso, cabe à mídia televisiva abordar culturas diferentes nas novelas, nos jornais e em desenhos animados, com o propósito de trazer à tona as diferenças culturais existentes na sociedade e dessa forma promover a conversa acerca do tema.