O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 11/11/2020

Em um episódio da série “Sex Education”, da Netflix, o amigo do protagonista sofre com piadas de cunho discriminatório na escola. Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: a ausência de alternativas para combater o bullying. Desse modo, surge a necessidade de atentar-se como a insipiência estatal e a insistência do senso comum sobre as diferenças fomentam a problemática.

Primeiramente, há de constatar a displicência governamental. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é direito cívil ter acesso a um ambiente que visa o bem-estar social de todos. Entretanto, ao analisar a carência de políticas públicas que objetivam amenizar e combater o bullying, é perceptível que essa premissa constitucional não é valorizada pelo governo nacional. Ademais, o livro “Cidadão de papel”, do autor Gilberto Dimenstein, retrata, também, a realidade que foi descrita cujas leis efetivas se encontram, majoritariamente, na teoria, o que, infelizmente, corrobora no recrudescimento de tal cenário em que a Constituição não é devidamente valorizada e as pessoas acabam sendo vítimas do bullying.

Outrossim, vale ressaltar a lacuna educacional como agravante da discriminação. Além disso, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas, ao não formarem um senso crítico nas escolas, podem acabar por pensarem que as demais são inferiores por simplesmente serem diferentes. Nesse viés, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), exibiu que, infelizmente, cerca de 20% dos brasileiros já foram caçoados na escola por causa de sua aparência. Desse modo, confirma-se que o meio social provoca mais dificuldades relacionadas a ações contra o bullying.

Destarte, medidas fazem-se relevantes para mitigar o preconceito. Portanto, cabe ao Ministério da educação, juntamente às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Aceite as diferenças dos outros”, responsável por educar socialmente os estudantes e suas famílias sobre o bullying. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e psicólogos, a fim de expor, debater e combater as consequências das diversas práticas de discriminações. Assim, será possível distanciar-se do hediondo cenário apresentado pela Netflix.