O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 11/11/2020

“A injustiça atrai a injustiça, a violência gera a violência”, a frase de Henri Lacordaire (político francês) assemelha-se à realidade sistemática e repetitiva do bullying, o qual está cada vez mais presente no cotidiano e surge de diversas maneiras agredindo psicologicamente e fisicamente os vulneráveis. Nesse contexto, não há dúvidas de que a prática citada é um desafio no Brasil que ocorre, infelizmente, devido ao negligenciamento governamental e os padrões sociais.

A lei Antibullying imposta pelo Congresso Nacional decreta uma série de ações que identificam e combatem a violência nas escolas. Entretanto, não é uma realidade vivenciada, isso porque existem problemas de fiscalização, prática e monitoramento dos casos. Além disso, dados do ISCTE evidenciam que mais de 60% dos jovens foram incomodados durante a pandemia do corona vírus –a maioria por causa da aparência física-, o que comprova que a lei não está tendo o resultado esperado.

Segundamente, a padronização imposta pela sociedade é um grande impasse às vítimas. Amargamente, a valorização dos padrões sociais é muito persistente e um reflexo da insegurança de muitos. Segundo o relatório do PISA (Programa de Avaliação de Estudantes) de 2019, 43% das crianças e jovens do país sofreram agressões constantes por causa de aparência física, etnia, gênero e orientação sexual. Assim, é possível perceber o quão grave é a imposição e uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para quebrar estereótipos.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver o problema. Cabe ao Governo elaborar projetos como palestras, apresentações e atividades de confiança para o desenvolvimento e a capacitação de profissionais e alunos nas escolas – uma vez que deve haver maior contato e aproximação entre colegas. Além de tal solução, o tema deve ser abordado em sala de aula, explicitando tamanha problemática para alcançar a conscientização de todos. Dessa maneira, a realidade irá distanciar-se da injustiça e violência citadas por Lacordaire.