O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 18/11/2020

Na série canadense “Anne With an E”, a protagonista, Anne Shirley, foi adotada por dois irmãos solteiros do interior, após uma infância repleta de agressões físicas e psicológicas, tanto no orfanato, quanto em casas de desconhecidos, devido a sua personalidade autêntica e seu cabelo ruivo. Fora dos limites ficcionais, no contexto brasileiro atual, atos sistemáticos de repressão tornaram-se um impasse frequente. Dessa maneira, tal situação advém da ausência de solidez nas relações sociais hodiernas e da negligência estatal.

Preliminarmente, faz-se indubitável a relevância dos debates do filósofo polonês Zygmunt Bauman acerca da modernidade líquida. De fato, o ser tornou-se fluido, trocando princípios e valores básicos, os quais deveriam ser bem estabelecidos, pelo “politicamente correto”, norteado por um falso ideal de aceitação. Dessa maneira, os indivíduos, apesar de uma aparente filantropia, a qual vai de encontro com os padrões sociais vigentes, condenam aqueles que se diferem de sua cosmovisão. Paralelamente, tal situação exemplifica-se na vida de Anne, agredida verbalmente por mulheres declaradas progressistas, devido a sua aparência física.

Em segunda análise, cabe ressaltar a negligência estatal, proveniente de falhas no Poder Legislativo brasileiro, o qual, apesar de ter formulado a lei em combate a intimidação sistemática, realizada em 2015, não estabeleceu uma punição compatível à violência. Isso deve-se à ausência de monitoramento efetivo dos casos e das práticas preventivas, bem como à normalização da agressividade, a qual não é debatida de maneira efetiva com os jovens, em ambiente familiar e escolar.

Por conseguinte, torna-se perceptível a relevância de medidas que solucionem esse impasse. Assim sendo, cabe à União, em forma de Poderes Legislativo e Executivo, aprimorarem e efetivarem a Lei Antibullying, agravando a pena para as infrações cometidas. Além disso, evidencia-se a necessidade da conscientização nacional, a qual deveria ser incentivada em colégios por estudantes de psicologia em época de estagio, a fim de identificarem situações de violência e denunciarem. Dessa maneira, será possível amenizar tal adversidade.