O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 17/11/2020

O filósofo italiano Nicolau Maquiavel acertou ao mencionar que “O homem é mau por natureza, a menos que precise ser bom”. Fora de ficção, a prática do bullying no Brasil relaciona-se diretamente à citação de Maquiavel, uma vez que ações apáticas são presenciadas incessantemente no país, principalmente entre os jovens. Tal circunstância se agrava, sobretudo, devido à negligência escolar e aos sucessivos casos de cyberbullying, que aumentaram ainda mais no período de quarentena. Logo, evidencia-se a necessidade de medidas para atenuar tais questões.

Diante desse cenário, cabe ressaltar, primeiramente, que a ausência de cuidados da escola perante os alunos é incabível. Essa premissa baseia-se no fato de que o bullying é frequentemente omitido, tanto pelo agressor, quanto pela vítima. Consequentemente, o indivíduo acometido pode apresentar sintomas como autoestima baixa, ansiedade e depressão, aspectos banalizados por grande parcela da população. Essa banalização pode ser apresentada por Alexandrina Meleiro, coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, que aponta o preconceito do corpo social que não vivencia a depressão e julga o doente como preguiçoso e desocupado. Assim, nota-se necessária uma maior cautela em relação a esse tópico.

Em paralelo a isso, é significante evidenciar que a execução do bullying virtual é um agravante para a situação. A fim de não querer se identificar, o sujeito opta por intervir na vida de outrem pelas redes sociais, utilizando-as como uma forma de “máscara facial”. Como resultado desse impasse, nota-se a cultura do cancelamento, na qual uma pessoa avalia, julga e critica o outro usuário diante de um contexto isolado, formando uma imagem final sobre o indivíduo, que, em diversos casos, sofre devido à intolerância. Prova disso foi a pesquisa realizada com jovens pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que foi divulgada em 2019 e apontou que 37% dos respondentes do Brasil afirmaram já ter sido vítima de cyberbullying, dificultando, dessa maneira, a superação da problemática.

Em face a tais informações, portanto, é lícito concluir que é preciso adotar um paradigma responsável para amenizar tal circunstância. Desse modo, à escola, que tem por função a promoção do pensamento crítico, cabe auxiliar os estudantes, com o objetivo de preservar a sanidade mental desses. Isso pode ocorrer por meio de um maior investimento de capital para a disponibilização de profissionais capacitados que interfiram quando necessário, como os psicólogos. Concomitantemente, cabe à mídia, grande difusora de informações, estabelecer regras de convívio ao meio virtual, como por meio do banimento imediato de uma conta com informações de caráter ofensivo, a fim de contribuir para o bem-estar do usuário. Somadas essas medidas, será possível um convívio melhor.