O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 08/12/2020
A série televisiva “Todo mundo odeia o Chris” retrata, de forma bem humorada, a adolescência do comediante e cineasta americano Chris Rock que devido sua cor e classe social enfrentou atitudes preconceituosas e constrangedoras durante todo o colegial. Analogamente, nas escolas do Brasil muitas crianças sofrem com o bullying: comportamento que intimida e agride pessoas física ou psicologicamente. Isso ocorre em razão da persistência de preconceitos estruturais, além do despreparo e omissão das instituições de ensino brasileiras.
Primeiramente, é importante ressaltar que a existência de ideais historicamente intolerantes na sociedade brasileira contribui diretamente para a prática de bullying nas escolas. Prova disso é o fato de que segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) o preconceito atinge cerca de 99% do ambiente escolar, sendo vítimas não só alunos, mas também professores e funcionários. Destarte, torna-se evidente que as agressões são motivadas por pensamentos racistas e retrógrados que podem prejudicar a saúde psicossocial dos vitimados.
Outrossim, é evidente que a maioria das escolas brasileiras não está preparada para lidar com o bullying, visto a falta de segurança dos profissionais que, como já citado, em alguns casos são as próprias vítimas desse comportamento e por isso se omitem de falar sobre o tema. Sobre isso, Voltaire, filósofo francês, afirma que um preconceito é apenas uma opinião que não foi submetida à razão. Dessa forma, percebe-se que por não dialogar e refletir sobre o problema muitos alunos permanecem com ideias discriminatórias, culminando nessas atitudes tão reprováveis e nocivas.
Infere-se, portanto, que a prática do bullying nas escolas é um problema de cunho social e deve ser solucionado. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas de combate a esse comportamento. Isso poderia ser feito por meio de palestras, oficinas e salas de debate nas escolas envolvendo pais e alunos para refletir sobre os impactos que essas atitudes ofensivas podem acarretar. Tais ações devem ter por finalidade conter práticas opressivas e intolerantes em ambiente escolar e, consequentemente, na sociedade como um todo. Dessa forma, garante-se que o drama vivenciado por Chris Rock não se repetirá na sociedade brasileira.