O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 17/11/2020

Na série canadense, ‘‘Anne With An E’’, lançada em 2017, é contada a história de Anne, uma menina órfã que teve uma infância muito difícil. Ela foi adotada por dois irmãos em uma pequena cidade, ao chegar em sua nova escola, sofreu bullying por ser ruiva, sardenta e por ter perdido os pais. Fora dos limites ficcionais, a realidade brasileira não se mostra muito promissora, uma vez que em pleno século XXI, o cyberbullying é algo bastante recorrente. Nesse contexto, isso acontece principalmente devido ao preconceito e as mídias sociais.

Em primeira análise, cabe ressaltar acerca da discriminação. Ainda em 2020, a maioria das pessoas não aprenderam sobre respeito mútuo e julgam os outros por motivos incoerentes. Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada em 2019, 30% dos brasileiros dizem ter sofrido preconceito por causa da classe social. Esse dado nos mostra que podemos ser julgados por qualquer coisa, por cor, aparência e até mesmo dinheiro. Até quando isso vai acontecer? Quando a sociedade vai entender que ninguém é melhor que o outro e que devemos respeito á todos independente da religião e gênero? Em síntese, é preciso adotar medidas que atenuem esse âmbito.

Em segundo plano, é crucial ponderar sobre as redes sociais. Na série mexicana ‘‘Control Z’’, lançada em 2020, é mostrado o surgimento de um hacker em uma escola, ele revela anonimamente o segredo mais obscuro de alguns alunos, os quais foram ‘‘cancelados’’ pelos colegas e sofreram cyberbullying. Esse seriado faz uma analogia com o mundo real, onde as pessoas consideradas ‘‘diferentes’’ sofrem diversas calúnias e xingamentos. No mundo contemporâneo, foi imposto um alto padrão social, onde se você não tiver certa aparência ou status é considerado um ‘’ninguém’’. Além disso, essa questão pode ter graves consequências como transtornos mentais e alimentares, e até mesmo o suicídio, necessitando de mudanças para diminuir esse cenário.

Sendo assim, fica nítido que é essencial adotar um paradigma responsável por reduzir esse plano. Assim, o MEC, como ministério responsável pela educação dos cidadãos brasileiros, deve proporcionar aos professores, a capacitação para lidar com problemas psicológicos, tornando-se algo obrigatório nos cursos de licenciatura, tudo isso a fim de ajudar ao máximo os alunos a lidarem com suas emoções e traumas antigos, para evitar que eles façam bullying com seus colegas. Simultaneamente, a família, como sendo o primeiro agente socializador do ser humano, não deve comparar a realidade de agora com a do passado, mencionando que eles já passaram por coisa pior e que seu filho, exemplificando, está fazendo drama, ninguém tem o direito de julgar a dor do outro. Dessa maneira, se dará o primeiro passo para mudar tal problemática.