O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 26/11/2020

Na letra da música “pumped kicks” é melodicamente retratado o massacre de Columbine, incidente diretamente ocasionado pela opressão escolar a dois garotos que psicologicamente devastados provocaram a morte de dezenas de inocentes. Paralelo à isso, hoje nas escolas brasileiras o “bullying” é um grave problema que parasita as relações sociais e tem perverso reflexo na psique dos estudantes. Assim, para que esse temerário quadro seja atenuado é primordial analisar suas causas e consequências mais extremas.

Precipuamente, é imperativo ressaltar o ambiente cíclico que o “bullying” se instaura. Nesse sentido, Hannah Arendt em seus estudos sobre os conflitos humanos demonstrou que quando atitudes cruéis são repetidas e internalizadas ao ponto de tornarem-se comuns o “mal” é banalizado e vira inconsciente. Ocorre que, se uma criança conviver em um ambiente domiciliar hostil e conflituoso suportado por pais indispliscentes as atitudes maldosas ficam obviamente banais. Com efeito, esse jovem afetado ira expressar em seu círculo escolar a opressão sistemática a outras crianças, gerando um comportamento repetitivo e extremamente danoso. Ora, enquanto não for criado um meio de proteger o oprimido rompendo o ciclo, o bullying continuará ascendente.

Ademais, é crucial destacar que essa prática periculosa não se restringe ao meio escolar e pode chegar ao ambiente virtual. Nesse viés, em consonância com o sociólogo Francês Pierre Bourdieu, quando uma violência ultrapassa a dimensão física e atinge diversas camadas e meios sociais por efeito da opressão tem-se o que ele define: violência simbólica. Desse modo, a intimidação pode atingir as redes sociais adquirindo sua forma mais perversa, pois impede que o jovem atingido tenha paz mesmo fora do contado direto com o agressor refletindo em transtornos psicológicos exponenciais. Logo, essa simbólica violência pode levar a casos extremos de suicídio.

Fica claro, portanto, que medidas exequíveis devem ser tomadas para que o entrave seja amenizado. Destarte, urge que o MEC estimule um protocolo nacional de combate ao “bullying” nas escolas, por meio da criação de ouvidorias anônimas, em que o aluno oprimido possa denunciar seu agressor identificando-se ou não para a diretoria da escola. A partir disso, um time composto por assistente social, psicólogo e professores devem atuar na retratação do agressor e poderão intervir em sua possível situação de hostilidade domiciliar. Dessa forma, espera-se que com acompanhamento psicológico o ciclo seja rompido e casos como o de Columbine nunca voltem a acontecer.