O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 04/12/2020

A série médica de televisão “Sob pressão” aborda inúmeros temas sociais. Em um dos episódios da trama um adolescente é levado ao hospital com os braços mutilados por si próprio em virtude do bullying que sofria na escola em decorrência de uma deficiência física. Analogamente à ficção, essa situação ainda é um problema que necessita ser debatido no Brasil. Com isso, nota-se que o bullying é uma violência simbólica que atinge o físico e o psicológico de quem sofre e necessita de intervenções de caráter educacional.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que as relações de poder dos indivíduos em uma sociedade estabelecem as bases para a propagação dessas atitudes. Sendo assim, de acordo com o sociólogo francês Pierre Bordieu, em seu conceito de violência simbólica, a define como um mecanismo sutil utilizado pela classe dominante a fim de legitimar suas crenças, fazendo com que os dominados reproduzam de forma inconsciente essa imposição, naturalizando-as. Dessa maneira, percebe-se que no ambiente escolar, alunos que não se encaixam nos padrões estabelecidos pela sociedade, sejam eles estéticos ou comportamentais sofrem situações de constrangimento e agressões advindas de alunos que se colocam em uma posição de superioridade em relação aos demais.

Sob essa perspectiva, é notório que a exposição frequente a situações como essa geram danos ao psicológico e ao desenvolvimento social da vítima.  Assim, de acordo com artigo do Ministério da Educação sobre o tema, o bullying leva à mudanças de comportamento como introversão, dificuldades no desenvolvimento de relações sociais e até depressão. Dessa maneira, torna-se imprescindível que medidas sejam tomadas para evitar situações como o desinteresse pela escola, queda no desempenho escolar ou até mesmo mutilações e tentativas de suicídio por parte das vítimas que não deveriam estar sob negligência das instituições responsáveis.

Portanto, é notório que a problemática possui raízes sociais complexas que devem ser desconstruídas e trabalhadas. Para isso, cabe ao Ministério da Educação debater a temática com os profissionais da educação e com os próprios alunos, principalmente os alunos do ensino fundamental I e II, por meio de palestras com profissionais da psicologia e implementação de campanhas de caráter educacional e elucidativo nas escolas a fim de enfatizar quais são os comportamentos que não devem ser tomados pelos alunos e como esses comportamentos se tornam destrutivos para o ambiente escolar e para os alunos, fato que gera prejuízos a longo prazo. Essas ações visam construir um país igualitário, acolhedor e respeitoso para todos.