O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 06/12/2020

Segundo a Lei da Inércia de Isaac Newton, a tendência dos corpos em repouso é de permanecerem parados até que forças sejam exercidas sobre eles. De forma análoga, a permanência do fenômeno do bullying no Brasil ocorre devido à inércia da sociedade em relação à importância de combater esses atos violentos. Dessa forma, essa estagnação se manifesta na falta de debates acerca desse assunto e gera um grande impacto negativo na saúde mental das pessoas que sofrem essas agressões.

Depreende-se, antes de tudo, que o silenciamento acerca desse assunto é um grande catalisador para a persistência desses ataques. Sob esse viés, o filósofo alemão Habermas defende que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nesse sentido, para que o problema do bullying seja solucionado, é necessário que existam debates sobre ele. Todavia, nota-se que essa temática é bastante silenciada, não apenas nas escolas, como também no ambiente doméstico. Assim, essa lacuna de conversação gera graves consequências para a vítima, uma vez que ela não encontra apoio para lidar com essas agressões e é afetada de forma intensa em seu bem-estar emocional.

Infere-se, ademais, que a higidez psicológica dos indivíduos que sofrem esses ataques é fortemente atingida. Dessa maneira, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é o completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença. Diante dessa perspectiva, as pessoas que sofrem bullying, frequentemente, encontram-se em estado de fragilidade emocional e tornam-se mais suscetíveis a adquirirem transtornos mentais como ansiedade e depressão. Sendo assim, torna-se evidente a importância de combater esses atos, pois as vítimas podem permanecer com sequelas para o resto de suas vidas.

Conclui-se, portanto, que a inércia em relação a esses casos deve ser combatida. Assim sendo, o Ministério da Cidadania, com o apoio dos órgãos de psicologia, deve, por meio de verbas públicas, criar espaços para a promoção de debates acerca do bullying. Nessa perspectiva, tais eventos seriam realizados semanalmente, em espaços públicos, e abertos para todos os cidadãos. Outrossim, esses locais contariam com a presença de sociólogos e psicólogos que expliquem as origens sociais do bullying, as formas de combatê-lo e como identificá-lo, bem como esses lugares seriam usados como meios de denunciar essas práticas para que medidas judiciais cabíveis sejam tomadas. Por fim, é relevante ressaltar a urgência de resolver essa problemática de forma acelerada, porque, como constatou Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo”.