O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Perseguição. Humilhação. Violência. Problemas psicológicos. Essas são algumas das características de um cenário preocupante encontrado na realidade mundial: o bullying. Dentro desses aspectos, a persistência de agressões verbais e físicas motivadas por futilidades é motivo de preocupação também para o meio estudantil brasileiro. Nesse sentido, a normalização dessa prática perigosa e suas graves consequências entre crianças e jovens precisam ser combatidas.

Em primeira análise, cabe ressaltar a banalização de ações intimidadoras e estereotipadas no Brasil. Em vista da não aceitação de quem é “diferente”, é possível observar no comportamento juvenil a necessidade de sobreposição ao próximo. Desse modo, diferenças raciais, religiosas, físicas ou intelectuais são pressupostos para atitudes hostis já enfrentadas por cerca de 43% das crianças e dos jovens brasileiros, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Diante dessa perspectiva, a filósofa Hanna Arendt traz o conceito de banalidade do mal no qual a constante prática de atitudes agressivas gera uma normalização das mesmas, tornando, assim, a prática do bullying em algo comum. No entanto, tal postura precisa ser revertida visando o bem-estar psicológico dos alunos brasileiros.

Ademais, as consequências do bullying se mostram desastrosas. Acerca dessa premissa, as séries “Os 13 Porquês” e “Control Z” retratam os transtornos psicológicos que essa perigosa mazela social pode causar se não for identificada e combatida. Nesse cenário, cabe ressaltar, ainda, a importância da ação dos pais e responsáveis para que o bullying sofrido dentro das escolas não se torne ainda mais danoso. A exemplo, o drama “Preciosa” traz a história da personagem Claireece, que, além de suportar duros deboches e exclusão em sala de aula, era violentada pelo pai e negligenciada pela mãe. Tais circunstâncias evidenciam que os jovens podem chegar até ao suicídio e perpetuam a seriedade do assunto em questão e a necessidade de identificar e combater essa lastimável realidade.

É imprescindível, portanto, que a prática do bullying seja tratada no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação, aliado ao Serviço de Orientação Educacional das escolas, deve promover campanhas, por meio de publicidade, para que todos saibam identificar ações intimidadoras, assim como seus praticantes e suas vítimas. Paralelamente, por meio da capacitação dos docentes, da criação e da divulgação de canais de apoio àqueles que sofrem com o bullying, será possível disseminar informações sobre a realidade das perseguições e encaminhá-las a psicólogos e tutores para serem solucionadas. Logo, o ciclo da banalização será rompido ao evitar que novas tragédias aconteçam nas escolas e nos lares, com melhorias diretas à saúde mental dos jovens brasileiros.