O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 05/01/2021
“A sociedade que esquece a arte de questionar não pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem”. A frase, do filósofo Zygmun Baumam, sugere o principal entrave para a superação dos problemas sociais: a passividade dos cidadãos. Diante disso, é imprescindível um olhar crítico acerca do combate ao bullying no Brasil, destacando o peso que a ineficiência escolar e a má relação familiar possuem na persistência dessa problemática.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que a inadequada gestão escolar corrobora para a contínua, e cada vez maior, prática do bullying. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem é o produto da educação que recebe. Torna-se nítido, então, que se a escola não presta uma educação de qualidade, considerando mitigar tais atos, intencionalmente maliciosos, o indivíduo não é capaz de reconhecer seus limites por si só e acaba ultrapassando-os. Fica evidente, assim, que a precária qualificação profissional, dentro desse ambiente, pode ter consequências severas no desenvolvimento do indivíduo e sua integração na sociedade.
Sob outra análise, as relações familiares possuem grande impacto no comportamento dos indivíduos. Diante dessa perspectiva, um estudo feito pela USP, com aproximadamente 2 mil estudantes com idade entre 10 e 19 anos, identificou que tanto as crianças que sofrem quanto as que praticam bullying possuem um histórico de más relações parentais. Nesse sentido, é esclarecedor que criar vínculos familiares com os filhos, seja no diálogo, seja na ajuda com os deveres de casa, seja participando das reuniões na escola, por exemplo, faz com que o aluno se sinta acolhido e, de fato, tenha um melhor desempenho escolar e social. Em suma, é dever da família fortalecer os laços afetivos com seus filhos para contribuir com a mitigação do bullying nas escolas.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para acabar com essa mazela social que se perpetua há séculos no país. É dever do Ministério da Educação e Cidadania, em parceria com escolas públicas e privadas, criar campanhas de conscientização nesses ambientes, com a participação familiar, a fim de explicar que o bullying é um crime social, suas consequências e a importância da família no seu combate . Ademais, é importante que haja um maior investimento de assistentes sociais nas escolas, com intuito de promover uma maior integração entre família-aluno e família-escola. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, eliminar o bullying do ambiente escolar e tornar o país, de fato, um lugar mais justo e prazeroso para estudar.