O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 05/01/2021

No filme “A fita branca”, o cineasta Michael Haneke retrata os dias anteriores ao inicio da primeira guerra mundial, decorridos numa vila alemã onde misteriosos assassinatos passam a acontecer e ao final descobre-se que tudo era orquestrado pelas crianças do lugar. Com isso, o diretor faz uma análise clínica sobre como a cultura da punição, da repressão e do castigo, presente na vida das famílias alemãs do início século XX, foram fundamentais para ascensão do nazismo. Paralelo a isso, vemos hodiernamente na cultura brasileira o bullying se inflamando na vida das crianças e adolescentes, tendo como causa principal as bases familiares enfraquecidas.

Em primeiro lugar, é significativo ressaltar que o bullying quando se agrava pode ocasionar severos danos psicológicos às vítimas e também levar a casos impactantes de violência, tal qual, o massacre de Suzano, ocorrido em 2019 e que trouxe a tona a falha, já conhecida, das escolas em não conseguir identificar os casos recorrentes de bullying para que se consiga promover um ambiente seguro e pleno para os estudantes; muitos dos quais se sentem envergonhados de fazer denúncias, tornando o trabalho dos profissionais da educação ainda mais difícil.

Por conseguinte, é importante que seja feita uma reflexão a respeito da fragilidade de muitas das bases familiares do Brasil, parte delas permeadas por um clima de desrespeito, agressão e coerção. Em virtude disso, muitos dos adolescentes que são vítimas em casa se tornam agressores nas escolas e fazem outras vítimas que, muitas vezes, por também não terem o apoio familiar acabam vendo na violência uma forma de retaliação as humilhações constantes, quando não, pode leva-los à casos de transtornos psicológicos como ansiedade, fobia social ou depressão.

Portanto, é mister que o ministério da educação crie, por meio de verbas governamentais, um projeto de acompanhamento dos casos de bullying nas escolas públicas que seria executado por profissionais da área de psicologia para que fossem feitas assistências às vítimas e também aos agressores e com o intermédio das famílias de ambos no processo, afim de evitar o agravamento dos casos e melhorar o ambiente familiar dos envolvidos. Dessa forma, espera-se que se rompa com essa cultura da agressão, para que as crianças do futuro sejam diferentes daquelas de Michael Haneke.